segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Segura o homem!

E mais uma vez aconteceu: Andy Murray não jogou o que sabe em uma final de Grand Slam e o adversário saiu com o título. A diferença desta vez foi que o vencedor jogou de uma maneira tão brilhante que seria difícil para o britânico esboçar qualquer reação. Novak Djokovic, agora bicampeão na Austrália, atropelou sem dó um perdido Andy Murray em Melbourne. O número cinco do mundo vinha de um torneio sensacional, se dizia cheio de confiança e em boas condições mental e física. Mas não foi isso que vimos em quadra, principalmente no segundo set, onde por pouco não levou um pneu do sérvio. Murray teve aqueles jogos tradicionais das finais, onde fica devolvendo bolas com muito menos risco do que de costume, aguardando um erro do adversário. Em boa parte do primeiro set isso deu certo, mas aí Djokovic acordou e a coisa degringolou para o número um da Grã-Bretanha. Os dois sets finais foram um atropelo de rolo compressor do sérvio, sem qualquer chance de reação para qualquer tenista que estivesse do outro lado. Qualquer um.

Novak Djokovic, o Nole, mereceu o título. Como eu disse aqui na véspera da primeira semifinal masculina, ele e Federer jogavam o melhor tênis do torneio, mas o sérvio repetia atuações sensacionais jogo a jogo, ao passo que o suíço tinha seus constantes apagões. Por isso, pelo menos nesta edição do Australian Open, venceu o melhor. E tenho certeza de que disso ninguém duvida. Queremos ver agora uma briga mais acirrada no topo. Nadal tem muitos pontos a defender nesta próxima parte da temporada, enquanto Federer e Djokovic não. Se ambos jogarem o melhor de seu tênis, teremos um ano espetacular para o esporte! Aguardemos ansiosamente o que vem por aí.
Quanto a Murray, honestamente acreditei que desta vez sua cabeça fosse deixá-lo em paz e o pobre rapaz fosse levar o título. Tênis para isso ele tem, mas parece que sempre o deixa no vestiário nos dias de final de Grand Slam. Quem sabe não seja a hora de mudar de treinador? Alguém com mais agressividade, que o faça ir para cima dos adversários sem medo, que o faça acreditar que é possível, seria mais indicado para ele agora, antes que seja tarde demais.

De qualquer forma, a temporada se iniciou de maneira sublime. Vamos ver se não teremos mais do mesmo ao longo do ano e poderemos ver mais momentos com Djokovic e Murray em finais, vencendo e colocando fogo na parte de cima do ranking.

E quanto ao sérvio... Bom, se continuar com essa bola que jogou na terra dos cangurus, vai ficar difícil, viu? Segura o homem!

Ela merece!

Que grande jogo tivemos nesta manhã de sábado (noite na Austrália)! A final feminina do Australian Open reuniu as duas melhores jogadoras do torneio: Kim Clijsters – que, para mim, com a aposentadoria de Henin passou a ser a melhor em atividade – e Na Li. Uma, tricampeã do US Open, ex número um do mundo e em ótima forma técnica. A outra, fazendo história em seu continente, chegando a uma final de um torneio de Grand Slam pela primeira vez, jogando um ótimo tênis. A primeira chegava como favorita, a segunda como azarão, mas a coisa quase se inverteu na hora que a bola começou a viajar pela quadra.

Na Li fez um belo primeiro set, enquanto Clijsters errou muito e não conseguiu manter o equilíbrio do jogo por muito tempo. Resultado: perdeu a primeira parcial. Mas a partir da metade do segundo set as coisas começaram a andar bem para a belga, que venceu com certa facilidade. A chinesa começou a pressionar mais, errar mais e Kim a errar menos, controlando cada vez melhor os pontos e o jogo. No fim, venceu a melhor. Melhor na partida, melhor no torneio, melhor no circuito. Ela agora parte em busca do primeiro lugar do ranking mais uma vez, já que subiu uma posição e está bem perto de Wozniacki, que defende muitos pontos este ano. Vamos ver como será sua temporada.

Ficam aqui os parabéns à chinesa, que fez uma campanha extraordinária. Mais do que isso, faz uma temporada extraordinária, perdendo pela primeira vez no ano nesta final contra Clijsters, tendo sido campeã em Sydeney. Eu falava dela desde o início do torneio, que vinha quietinha, à margem das câmeras, e que poderia chegar muito longe em Melbourne. E chegou. E, por pouco, não ficou com o título. Espero que ela mantenha o ritmo ao longo do ano. A WTA está precisando ganhar emoção. O jogo de pancadaria e/ou de balõezinhos lá do fundo da quadra precisa evoluir, precisa melhorar. Henin abandonou a carreira. Vamos ver se Serena volta a jogar com um pouco mais de vontade e Clijsters joga mais torneios. Precisamos de um pouco mais de inteligência e habilidade dentro da quadra. Os fãs agradecem.

Quanto a Clijsters, não há muito o que dizer que eu já não o tenha feito ao longo deste torneio. A belga joga um tênis gostoso de ver, é muito carismática, ilumina o circuito com seu sorriso despojado e é a mais talentosas de todas as tenistas que estão aí. Tomara que jogue muito ainda este ano, pois queremos vê-la levantar muitos troféus. Ela merece!

sábado, 29 de janeiro de 2011

E agora, o que será?

“Como será amanhã? Responda quem puder”. É assim que começa uma das canções mais famosas da música brasileira, eternizada na voz de Simone. E foi tentando responder a esta pergunta que passei os dois últimos dias, desde a vitória de Andy Murray sobre David Ferrer. Não estamos acostumados a isso no mundo do tênis: há muito tempo não se via uma final de um grande torneio sem Nadal e/ou Federer. O último Grand Slam em que isso aconteceu foi em dois mil e oito, quando Djokovic venceu Tsonga neste mesmo aberto da Austrália, conquistando seu primeiro e único título de major. E tenho certeza de que o fato de o número um ou o número dois do mundo não estar do outro lado da quadra é estranhíssimo para os dois jogadores que se enfrentarão amanhã em busca do feito épico que é vencer um torneio de Grand Slam. Andy Murray tenta sua primeira conquista deste porte. Já bateu na trave algumas vezes, mas sempre encontrou o suíço ou o espanhol pelo caminho. Djokovic tenta o bicampeonato na terra dos cangurus e também segundo major na carreira. Quem leva vantagem? Qual a importância desta final para o porvir deste esporte que enfrenta a hegemonia Nadal-Federer há mais de cinco anos?

Vou tentar responder à pergunta mais fácil primeiro. Qual a importância de uma final de Slam, depois de tanto tempo, sem os dois melhores tenistas da atualidade? Enorme. Não somente pela final em si, mas para o que ela pode representar para os dois jogadores envolvidos. Em dois mil e oito, quando o sérvio venceu, seu tênis não era sombra do que vem apresentando hoje, que está cada vez mais agressivo, sólido e consistente. Seu preparo físico também evoluiu – apesar de ainda não ser o adequado para um top 5 – e sua cabeça, que sempre foi um de seus principais adversários, melhora mais e mais a cada dia. O jogo contra Federer na semifinal foi um exemplo disso. Parecia que era Djokovic quem defendia o título, que ele era o favorito, tamanha a confiança com que entrou em quadra e mandou o suíço de volta para casa mais cedo. Golpes certeiros, rápidos e muita força física não deram a menor chance para o número dois do mundo. Uma nova conquista de Grand Slam neste ponto de sua carreira pode lhe fazer acreditar que é possível vencer e chegar ao topo, coisa que acho que sempre o atrapalhou nos momentos decisivos. Em quase todas as oportunidades em que estava chegando perto demais do número dois do ranking da ATP sua performance caía absurdamente. Agora não vejo mais isso acontecendo e creio que a vitória amanhã lhe dará toda a confiança que precisa para ir em busca dos dois “intocáveis” tenistas que estão acima dele.

Por outro lado, Murray é um jogador extremamente habilidoso, versátil e competente. Defende de uma maneira que só Nadal sabe fazer atualmente. A capacidade de fazer reviravoltas em seu jogo durante uma partida é única no circuito. O que lhe falta? Duas coisas: cabeça no lugar e confiança. Ok, falta um pouco mais de agressividade a seu jogo e subidas mais eficientes à rede, mas nada que sua competência ímpar do fundo da quadra não minimize. O que vejo que realmente precisa evoluir no britânico é sua estabilidade emocional. Acho até que ela também afeta sua confiança. Amanhã ele terá sua prova de fogo. Se tiver controle para fazer seu jogo com inteligência e vencer um embaladíssimo Djokovic na final de Grand Slam que entra com mais chances de vencer, provará para o mundo e principalmente para si mesmo que é digno do topo. E Andy Murray confiante e sem a paranóia dos Slams não vencidos, sem a pressão dos britânicos que não vencem um major há mais de setenta anos, pode ser ainda mais perigoso.

Mesmo correndo o risco de contrariar alguns dos maiores nomes do tênis e do esporte mundial, não acho que o top 5 atual seja o pior da história. Certamente não é o melhor, mas ainda acho que está longe de ser o pior. Murray e Djokovic são excelentes jogadores. Neste início de temporada estão jogando melhor do que os dois primeiros do ranking. Soderling vem evoluindo, mas não acho que ele esteja no nível dos outros quatro, apesar de estar na frente de Murray até o momento. Agora, daí pra cima realmente a coisa complica. Aí sou obrigado a concordar com Sampras...
Resumindo o que quero dizer, uma final entre Novak Djokovic e Andy Murray pode ser o início de uma era de disputas mais equilibradas e títulos mais distribuídos; pode iniciar uma era de várias grandes disputas e rivalidades, não se limitando a apenas dois tenistas. Tenistas sensacionais, mas apenas dois. É pouco. Quem acompanha tênis desde o fim dos anos oitenta como eu o faço, sabe o que estou falando. Quem é mais antigo ainda, nem se fale...

Imagino que, se Murray vencer, pode ser o despertar de uma fera que vem ensaiando a fuga da jaula há algum tempo. Joga demais o escocês. Se aprender a subir à rede com mais freqüência e a escolher melhor os momentos para fazê-lo, pode se tornar um novo fenômeno do esporte. Se o sérvio levar a melhor, pode começar a acreditar que também tem o direito de ganhar vários Slams e continuar a soltar as bordoadas que distribuiu em Melbourne ao longo do ano. O jeito é esperar mais algumas horas para ver qual será o caminho que se desenhará para os dias que vêm por aí.

Já a outra pergunta, essa é complicada demais. Quem leva vantagem amanhã? Não sei mesmo afirmar uma resposta. Não me obriguem a dizer um nome, pois não tenho certeza de nada. Quando penso em Djokovic, me lembro da barbaridade que Murray jogou ao longo do torneio, principalmente contra Ferrer, onde soube achar um caminho para uma grande vitória. Quando penso no escocês, penso na quantidade de pancada e na velocidade que o sérvio impõe ao jogo e o quanto sufoca o adversário no fundo da quadra. Mas, como tenho que dar uma resposta, vou de Andy Murray. Acho que se estiver com a mão calibrada e os nervos no lugar, leva essa. Ele já vem merecendo há um tempo.

Quem comemora amanhã? Só esperando pra ver.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Que semifinais!

Grandes jogos nesta primeira noite de semifinais do Australian Open! Sem muita embromação, vamos a eles!

Caroline Wozniacki x Na Li
O jogo que mostraria de verdade se a número um do mundo estava preparada para vencer um Grand Slam não foi muito diferente do que eu esperava: cheio de possibilidades e com a vitória podendo ficar para qualquer um dos lados. Apostei em Wozniacki porque a solidez que apresenta do fundo de quadra, defendendo muito bem, poderia ser decisiva novamente se Na Li errasse muito. E quase foi assim, quase. No primeiro set a dinamarquesa venceu com certa facilidade. No segundo, chegou a ter um match point, mas não aproveitou e a chinesa acabou vencendo. No terceiro, errando menos, ficou mais fácil para a número onze do mundo vencer a defensiva tenista líder do ranking, que não marcou um único winner sequer nesta parcial. Wozniacki precisa rever sua estratégia. Sem atacar não se manterá onde está por muito mais tempo. Seja como for, a chinesa – que joga um ótimo tênis – avança e enfrenta Kim Clijsters em uma final com gosto de revanche para a belga. É só esperar pra ver.

Kim Clijsters x Vera Zvonareva
Jogo que se desenhou muito diferente do que a maioria previa. A belga número três (agora número dois) do mundo venceu, sem qualquer dificuldade, a russa dos belos olhos azuis. Zvonareva não conseguiu superar o jogo sólido, agressivo e competente de Clijsters, que entrou extremamente concentrada e sem os apagões de partidas anteriores. Como eu disse ontem, a facilidade que encontrava nos outros jogos lhe dava o direito de ousar e tentar mais variações. A belga respeitou Zvonareva e jogou com menos risco, mas não menos agressividade. É impressionante sua capacidade como tenista, dá gosto de ver. Ela agora enfrenta Na Li na final e pode ter sua revanche de Sydney. Grande final, que premia as duas jogadoras que apresentaram o melhor tênis do torneio.

Novak Djokovic x Roger Federer
O jogo mais esperado das semifinais teve um resultado diferente do previsto pela maioria. Não pela vitória de Djokovic, mas por ter sido em sets diretos e sobre um Federer que não conseguiu jogar. O suíço voltou a forçar o jogo do fundo da quadra, sem a agressividade que o fez atropelar Wawrinka, e vencer os dois primeiros sets contra Simon, por exemplo. Mas quem viu o jogo sabe que isso se deu porque o sérvio jogou demais e não deixou o número dois do mundo jogar. Ele distribui pancada atrás de pancada, bolas muito rápidas e certeiras, além de ter sacado melhor hoje. A vitória foi justa e Federer foi bastante elegante ao dizer após o jogo que hoje ele enfrentou alguém que estava melhor do que ele na quadra, simples assim. Djokovic agora espera o resultado da semifinal entre Andy Murray e David Ferrer para ver quem será seu adversário em mais essa final de Australian Open. Bi campeonato à vista? Só esperando para ver.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Adeus que a gente não quer dar: Justine Henin


Hoje, vinte e seis de janeiro de dois mil e onze, através de uma carta publicada em seu perfil do facebook, a tenista belga Justine Henin se despediu oficialmente do tênis. Uma lesão grave no cotovelo a impede de jogar em alto nível e, consequentemente, competir profissionalmente. É uma pena, mas temos que dar adeus a uma das maiores jogadoras de tênis de todos os tempos e, na minha opinião, a melhor dos últimos quinze anos, pelo menos.

Henin era dona de um estilo próprio, arrojado e agressivo. Seu backhand com apenas uma das mãos, coisa raríssima de se ver no tênis feminino – e nos dias de hoje até mesmo no masculino –, era avassalador: potente e preciso, causava estragos nas defesas adversárias. A belga que venceu sete vezes torneios de Grand Slam (um Australian Open, quatro Roland Garros e dois US Open), uma olimpíada (Atenas, 2004) e quarenta e três torneios WTA, era dona de um jogo rápido e versátil, com muitos golpes e variações. Não foi à toa que ficou sessenta e uma semanas consecutivas no topo do ranking e cento e dezessete no total (12ª e 7ª da história, respectivamente).
Lembro-me da primeira vez que a belga anunciou sua aposentadoria, em dois mil e oito, na primeira posição do ranking, no auge da forma, com milhares de pontos à frente da segunda colocada. Não entendi nada, mas não se pode lutar contra a falta de motivação de um atleta. Só me recordo de ter ficado chocado e triste, pois vê-la jogar me fazia bem, mas ainda pensava que poderia haver uma “desistência de desistir” de sua parte, o que acabou acontecendo dois anos depois. Agora é diferente, é o corpo quem manda, e quando ele quer, o atleta tem que obedecer, não tem jeito.

A aposentadoria de Justine deixa um vazio no tênis atual, onde a maioria das atletas joga na base da força, soltando golpes potentes do fundo da quadra, com pouquíssimas variações e/ou alternativas. Sua compatriota Kim Clijsters é uma rara exceção, mas de maneira geral, não vemos mais jogadoras versáteis no circuito. E a melhor delas abandona o esporte agora, vítima do corpo, que não resistiu ao ritmo frenético que a competição em alto nível exige.

A belga deixará saudade e um vazio no coração daqueles que amam este esporte. Boa sorte nesta nova fase, Henin.

Enfim, as semifinais!

Chegamos às semifinais. Quatro tenistas em cada categoria brigam por duas vagas na final do primeiro torneio Grand Slam do ano, que nesta edição não traz muitas surpresas para a reta final. Há, entretanto, promessas de jogos memoráveis que podem entrar para a história. Vamos aos jogos e a uns palpites do que pode acontecer, começando pelo feminino, depois com o masculino. Vamos lá.

Caroline Wozniacki x Na Li
Tem tudo para ser um grande jogo e, honestamente, não creio que Na Li vá avançar. Apesar de estar jogando muito bem neste Australian Open, melhor até do que a rival, a chinesa pode se irritar com as defesas incansáveis de Wozniacki e começar a cometer muitos erros não forçados, o que contra a dinamarquesa é determinante no resultado. A número um do mundo não tem o hábito de atacar – consequentemente erra muito pouco – o que torna fatal cometer muitas falhas contra ela. Tem sido assim durante todo o caminho de sua ascensão ao topo do ranking, e neste torneio não foi diferente: Wozniacki defendeu muito, errou pouco e avançou. Precisa de mais do que isso para se manter como número um e superar tenistas mais habilidosas, com um jogo mais variado do que as que andam por aí, como Clijsters, por exemplo. Na Li, apesar de jogar muito bem, é uma adepta da pancadaria da linha de base com muita velocidade. Se a dinamarquesa resistir a isso, avança. Se a chinesa variar mais o jogo, trazendo a adversária para dentro da quadra, para a rede, forçando-a a buscar alternativas, ela passa. Vamos ver como ambas vão se comportar. Como me obrigo a dar um palpite, vou de Wozniacki.

Kim Clijsters x Vera Zvonareva
Em minha opinião, a final antecipada do torneio. Acho que quem vencer esta partida, vence o Australian Open este ano. Zvonareva bateu na trave nos dois últimos slams. Clijsters venceu o último do ano passado. A Rod Laver Arena vai pegar fogo, com certeza. A russa vem fazendo jogos mais homogêneos, melhorando a cada jogo e ganhando muita confiança. Atacando e defendendo muito bem do fundo da quadra, só foi incomodada quando teve “apagões”. Enquanto a concentração esteve em alta, não deu chance para ninguém. Clijsters, por sua vez, oscila bem mais. Alguns jogos são muito bons, outros nem tanto. Durante os jogos tem momentos brilhantes e outros pífios. O que a diferencia das demais é a imensa habilidade e inteligência. E é isso que tem feito toda a diferença. Na hora que “o bicho pega”, seu talento a tira do buraco e a faz avançar, o que conseguiu fazer sem perder sets na competição até agora. Acredito em um bom jogo e também penso que muitos dos erros que a belga vem cometendo podem ser em função da “facilidade” que vem encontrando nas partidas. Ela ousa mais, arrisca mais, pois sabe que pode não ter outra chance para fazer isso mais para frente. Contra Zvonareva, por exemplo, não vai poder se dar ao luxo de errar tanto. Seu jogo terá que ser mais preciso, mas não menos ousado, agressivo e genial. É uma pena que ambas se enfrentem antes da final, mas não tem jeito. Como tenho que apostar, aposto em Clijsters.

Já no masculino...

David Ferrer x Andy Murray
Este jogo pode ter um resultado inesperado. Ferrer, o único que considero surpresa nas semifinais, não é um tenista conhecido por atacar e sufocar o adversário, mas vai atrás de todas as bolas e comete poucos erros não forçados, o que irrita demais adversários que já tendem a perder a cabeça, o que é o caso de Andy Murray. O número cinco do mundo é, em minha opinião, um dos mais habilidosos tenistas do circuito, mas é também muito instável. Se mantiver a cabeça no lugar e agredir mais – outro problema em seu jogo – pode avançar à sua segunda final consecutiva no Australian Open. O espanhol, por sua vez, vem jogando um tênis mais agressivo do que o de costume, o que pode surpreender, mas também ajudar, o britânico. Murray é “freguês” de Ferrer, mas eu não o subestimaria por isso. Ele fez um torneio espetacular até aqui, apresentando um jogo muito sólido e consistente. Se mantiver o ritmo e, principalmente, a cabeça no lugar, é candidato ao título, mesmo se enfrentar Federer na final. Acho que ele avança.

Novak Djokovic x Roger Federer
O jogo reunirá os dois tenistas que apresentam, em minha opinião, o melhor tênis desta edição do Australian Open. Federer teve alguns de seus apagões, mas quando está em quadra tem sido imbatível, quase perfeito. O suíço está jogando como há muito não fazia, agredindo e sufocando os adversários de uma maneira que os impede de reagir. Que o diga Wawrinka, que tentou de tudo, mas não chegou nem perto de incomodar. Djokovic – que já disse que entra em quadra para esta partida sem nada a perder –, por sua vez, tem distribuído pancada pra todos os lados, não dando qualquer chance aos adversários. É bem verdade que não enfrentou ainda ninguém do nível de Federer, mas atropelou Almagro e Berdych, adversários perigosos (apesar de eu não considerar o tcheco o craque que dizem, ele é perigoso), sem tomar conhecimento. Se o número dois do mundo não se mantiver focado no jogo o tempo inteiro, pode dar adeus à chance de ir a mais uma final de Grand Slam. Aposto em Federer, não só pelo histórico vencedor sobre Djokovic, mas pelo tênis que vem jogando. Se mantiver o ritmo por todo o ano, vai ser difícil não recuperar o número um do ranking e, quem sabe, até vencer os quatro torneios de Grand Slam. A temporada promete. Mas enquanto isso, fiquemos com as grandes semifinais que começam hoje.

Quartas de final do Australian Open – parte 2

Acabaram as quartas de final e os quatro melhores tenistas do mundo no momento em suas categorias foram definidos. Foram grandes jogos nesta segunda noite da rodada. Vamos a eles.

Vera Zvonareva x Petra Kvitova
A russa número dois do mundo fez o que vinha fazendo até aqui neste torneio: jogou muito bem do fundo da quadra, agredindo e defendendo com competência. O resultado disso foi a vitória em sets diretos. E teria sido ainda mais fácil se ela não tivesse passado por um apagão no melhor estilo Roger Federer no segundo set. Tem tudo para fazer um jogo espetacular na semifinal contra Kim Clijsters. E, minha opinião, esta é a final antecipada: quem passar vence o torneio. É esperar pra ver.

Kim Clijsters x Agnieszka Radwanska
A belga jogou muito abaixo do que pode e até mesmo do que vinha jogando. Errando muito no ataque e no saque, Clijsters deu muitas chances para Radwanska crescer no jogo. Apesar do resultado em sets diretos, a número três do mundo não teve vida fácil, sendo salva nos momentos críticos pelo seu enorme talento. Lances espetaculares e bolas inimagináveis a tiraram do sufoco sempre que precisou. Na média, porém, não esteve bem em quadra. Vamos ver se evolui seu jogo para a semifinal, o que precisará muito fazer, pois Zvonareva vem jogando de forma muito sólida e consistente. Se quiser passar pela russa e avançar à final, precisará fazer bem mais do que fez ontem. Seja como for, pelo enorme talento que tem, ainda é, em minha opinião, a favorita ao título.

Andy Murray x Alexandr Dolgopolov
Pela primeira vez neste torneio Murray teve que trabalhar muito para vencer uma partida. O jogo imprevisível de Dolgopolov complicou a vida do britânico que só conseguiu achar seu ritmo no quarto set, quando fechou o jogo com facilidade. Murray enfrenta Ferrer na semifinal, tenista contra quem tem retrospecto negativo. Lembrando que o número cinco do mundo tem que defender os pontos do vice campeonato do ano passado. Apesar de Ferrer vir jogando muito bem este ano e levar vantagem nos confrontos diretos, ainda acho que Murray passa à final.

Rafael Nadal x David Ferrer
O jogo que prometia ser uma barbada para Rafael Nadal se transformou em seu calvário logo no início do primeiro set, quando o espanhol sentiu dores na perna esquerda. Foram vários os pedidos de atendimento médico, mas não teve jeito, Ferrer avança. É importante ressaltar que o número sete do mundo fez, independentemente da lesão de Nadal, uma bela partida, atacando e arriscando mais do que de costume, com belas bolas anguladas e paralelas aceleradas arrasadoras. Mesmo se o número um do mundo não estivesse lesionado, a partida poderia ter sido endurecida para ele, dada a grande atuação do espanhol número dois de seu país. No fim das contas quem avança é Ferrer, que tem um retrospecto positivo sobre Murray. Vamos ver como ele comportará nesse jogo. A rodada promete.

Algo digno de nota nesta rodada foi a postura de Rafael Nadal na partida. Lesionado, sentindo muitas dores e visivelmente fora de condições de disputar a partida de igual para igual, o espanhol não abandonou a disputa e suportou até o fim do terceiro set. Um exemplo de bravura e luta de alguém que não precisava mais disso, pois já havia conseguido defender os pontos que consquistara no torneio no ano passado. Não sabemos o quanto este comportamento pode agravar a lesão e prejudicar o resto da temporada do número um do mundo, mas fica um aplauso de pé para ele pela postura de vencedor, desportista e cavalheiro.