Teria sido maravilhoso que tudo tivesse acontecido conforme abaixo, mas não aconteceu. Roger Federer encontrou um Rafael Nadal inspirado. Acho que Deus pode ter ficado na dúvida de qual dos dois ajudar, já que ambos estão na mesma categoria. De modos diferentes, mas estão. São dois foras de série, jogadores incríveis e que demorará muito tempo para vermos de novo.
Continuo pensando tudo que escrevi abaixo. Serve de reflexão para os que condenam e atacam Federer e até mesmo para aqueles que dizem que Nadal é só um devolvedor de bolas sem virtudes. Ledo engano. Ele não é genial tecnicamente como Federer, mas joga com raça e inteligência demais, taticamente sempre perfeito.
Hoje o grande vencedor foi o tênis. Que partida! Privilégio poder assistir algo assim.
O que me deixa feliz é poder dizer “parabéns” a Nadal praticamente com as mesmas palavras que usaria para Federer.
Parabéns ao espanhol, parabéns ao maior gênio do saibro que o mundo já viu. Parabéns a Rafael Nadal e a todos aqueles que nunca duvidaram dele e de seu incrível talento. Parabéns ao tênis por ter um ser humano como esse competindo e mostrando que não há limites.
========================================================
A história do mundo se caracteriza por provar, em várias situações, que os grandes e incontestáveis homens e mulheres que por este planeta já passaram não devem ser desafiados. Ao longo de várias eras, um questionado Deus provou que os especiais e fora das características tidas como padrão que Ele envia ao mundo são, de fato, Seus protegidos. No esporte a coisa nunca funcionou de forma diferente. E consigo me lembrar rapidamente de dois exemplos bem recentes.
No futebol, na copa do mundo de dois mil e dois, o maior artilheiro da história das copas entrava em campo sendo extremamente questionado, vítima de chacotas e infinitas interrogações. E me incluo nesse grupo de pessoas, quero deixar bem claro. Ainda se recuperando de gravíssimas lesões, bem acima do peso ideal, seria ele decisivo, ou até mesmo importante, na campanha de sua seleção nacional? A competição mostrou que sim. Não só ele fez o gol do título, como também retificou a marca que ninguém ainda conseguiu bater. Ele é o artilheiro de todas as copas, ele é o fenômeno, ele é Ronaldo.
No tênis, um ex-campeão, maior vencedor de torneios de nível major da história até aquele momento, questionado, chamado de velho, ouvindo que era hora de se aposentar. Seu ranking era um modesto décimo quinto lugar, já havia outros que o venciam com alguma facilidade. Quando todos achavam que não lhe era mais possível fazer qualquer coisa digna de sua história, ele foi lá e venceu mais um – o último – torneio de Grand Slam e calou o mundo com sua genialidade. Ele confirmava ali que era, até aquele momento, o rei dos majors, o dono de um número de títulos praticamente imbatível dessa categoria de torneios profissionais. Ele é Pete Sampras.
Recentemente o mundo vinha passando por um momento bastante semelhante, novamente no tênis, novamente com um daqueles que deveriam ser inquestionáveis por tudo aquilo que já fizeram. E novamente a genialidade, o talento e o brilhantismo de mais um daqueles que Deus envia para tornar o mundo melhor apareceu e calou todos os ateus do esporte. E com Deus, meus caro, crendo Nele ou não, não se brinca. Não se aponta impunemente o dedo para Sua cara e diz “ei, você não é de nada”, impunemente. E, mais uma vez, Ele decidiu revidar os ataques. E fez ao seu melhor estilo: calmamente, na paz e com glória. Foi apenas mais uma vez na história, mas foi uma das que mais gostei até o momento, pois ela envolve o maior jogador de tênis de todas as eras, ela envolve o vencedor de dezessete torneios major, o homem que bateu a marca quase imbatível de Pete Sampras, ela envolve Roger Federer.
Ao longo de sua carreira o suíço fez coisas e registrou números inacreditáveis, superando quase todos os recordes vigentes em seu esporte. Foi o dono de jogadas que os fãs de tênis jamais esquecerão e fez com a raquete coisas que justificavam reuniões no Paraíso para tentar explicar de onde saíra tamanha genialidade. Porém, o homem que fez os maiores de todos os tempos em sua profissão se curvarem perante ele sem precisar fazer esforço ou pedir por isso, simplesmente porque reconheciam nele um novo rei e alguém que estava alguns degraus acima de seus feitos dentro de quadra, o jogador que fez Maria Ester Bueno dizer que “é inacreditável como o Federer faz as coisas mais incríveis parecerem simples” vinha sendo questionado e sofrendo acusações de que o fim havia chegado e que a hora de se aposentar estava próxima. Como eu disse, não se deve cutucar os preferidos de Deus de forma tão leviana e achar que vai sair ileso. Não mesmo. E foi o que aconteceu. E o palco para registrar a épica virada dos acontecimentos não poderia ser mais perfeito, a arena onde o maior de todos sempre enfrentou suas maiores dificuldades, o lugar onde ele sempre precisou se superar ainda mais para vencer, a casa de seu maior adversário, com uma vitória maiúscula sobre ele, seu maior antagonista, outro gigante e inquestionável do esporte, o espanhol Rafael Nadal.
O momento era o mais ideal possível: o mundo esportivo especializado estava inteiro contra Federer, jogando-o prematuramente na lona da aposentadoria, chamando-o de acabado e decadente, fazendo piadas de suas declarações de que estava vivo e na disputa, além de duvidar de algo que já havia muitas provas de que não era possível duvidar: sua capacidade técnica, genialidade e talento. E assim, como acontecera em tantas outras ocasiões, Deus guardou o melhor para o final, trazendo um de seus melhores enredos às telas da vida e presenteando os fãs deste esporte tão maravilhoso que é o tênis com um lindo momento de muita emoção e arte.
Desde pouco antes do início do torneio de Roland Garros eu dizia que Federer seria o campeão. Ele não vinha de grandes resultados e não jogava o melhor tênis de sua vida, mas eu ainda assim dizia. Eu sentia o momento. Via suas expressões nas derrotas, sentia o brio abalado nas críticas e percebia o tom de “olha bem o que vocês estão dizendo...” nas declarações após as partidas. As chacotas eram inúmeras e se espalhavam na internet. Enquanto isso o gênio se manteve em silêncio. Quando o torneio se iniciou, aí mesmo tive certeza de tudo. Não cometeria o mesmo erro que cometi na época de Ronaldo. A maneira que Federer se comportava em quadra, a maneira que vibrava e disputava cada ponto era diferente de tudo que eu o havia visto fazer nos últimos meses, talvez anos. Os mínimos detalhes estavam ali para quem quisesse ver: a bola mais rápida, o piso um pouco mais duro do que os dos torneios de saibro anteriores – até o vento foi enviado para deixar a quadra “careca” e, consequentemente, ajudar nessa tarefa –, Rafael Nadal um pouco longe de seus melhores momentos, tudo, nas suas maiores sutilezas, indicava a vitória do suíço, preparava o clima para o grand finale. A vitória sobre o trator sérvio foi simplesmente sensacional. Federer venceu o torneio e calou meio mundo do esporte ali. Navratilova, em minha opinião a maior tenista de todos os tempos, que já havia duvidado do maior dos gênios, via de perto sua aula de tênis e o desfile de técnica e golpes que não permitiram a Djokovic, por mais que este tentasse – e tentou muito! –, achar um caminho para a vitória. Os sinais estavam todos ali, era só ver.
A partida contra o sérvio, aliás, me lembrou de algo que ouvi Dácio Campos falar uma vez: “para ganhar de Federer o tenista tem que estar em seu melhor dia e Federer não pode estar no seu, porque o melhor dia de Roger Federer é melhor do que o melhor dia de qualquer tenista”. Não tenho como discordar disso.
Federer viveu em Roland Garros seu momento Joana D’Arc, onde o tribunal era a imprensa e a falta de culpa que deveria assumir compulsoriamente era a de sua decadência. Federer se negou a confessar algo que não fosse verdade, foi para a fogueira e, assim como Joanna, de lá saiu vitorioso. Ela, espiritualmente, ele fisicamente. Mostrou para todo o mundo como se faz um verdadeiro campeão, aqueles que ficam nos livros, não aqueles de um torneio só, mas sim de dezessete. Dezessete. E isso só de nível major. E isso até o momento...
Eu sempre abro os olhos para as coisas de Deus e, como tal, não pude evitar de ver algo que era tão claro: o torneio de Grand Slam preferido da maioria dos fãs de tênis – os mesmos fãs que debochavam de um de seus maiores expoentes –, o mais difícil de ser vencido, a final contra o maior rival e inquestionável dono do título de “maior jogador do saibro de todos os tempos”, a atmosfera de dúvidas que o cercava, as inúmeras adversidades dos últimos meses, tudo isso levava à vitória redentora e épica de Roger Federer. Só não via quem não queria. Eu quis ver. Eu vi. Assim como vi também a chuva que caiu em uma hora crucial da partida, onde o suíço passava por um momento muito ruim, demorou poucos minutos e se foi, nos trazendo um Federer recuperado e muito melhor mental e tecnicamente. Como disse, está tudo aí, é só ver. Ou querer ver...
Nunca escondi e nunca esconderei que sou fã incondicional do suíço. O que ele faz com a raquete é o que me faz ir todo final de semana para a quadra de tênis sonhar que posso fazer igual. É sua postura fora de quadra que me faz acreditar que o mundo tem solução, e sua amizade quase que fraterna com seu maior rival e algoz dentro de quadra que me faz achar que existe uma solução pacífica para as guerras no planeta. Ele é um grande exemplo para mim. Dentro e fora das quadras. Meu primeiro ídolo no tênis foi Boris Becker. Federer o superou de longe. Gustavo Kuerten só não é meu maior ídolo porque, nas quadras, não tem pra ninguém: Roger Federer é o maior de todos os tempos, assim como fora dela nosso querido Guga é imbatível.
Para não alongar ainda mais este texto – poderia falar dias sobre o tênis e os feitos do suíço – vou encerrar dizendo o óbvio: não brinque com os filhos diletos de Deus, creia você Nele ou não. A história está aí para provar isso, é só ter a sensibilidade para ver.
Parabéns ao suíço, parabéns ao maior gênio das raquetes que o mundo já viu. Parabéns a Roger Federer e a todos aqueles que nunca duvidaram dele e de seu incrível talento. Parabéns ao tênis por ter um ser humano como esse competindo e mostrando que não há limites.
domingo, 5 de junho de 2011
Eu (achava que) já sabia
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Pura nostalgia...
A impressão que tenho é que o pessoal anda achando que dar pancada lá de trás da linha de base e ser agressivo é a mesma coisa. Nadal não tem a bola que se possa chamar de forte (no que diz respeito à potência, claro), mas é um tenista muito agressivo do fundo da quadra, mesmo com seus golpes cheios de spin. Com Federer acontece a mesma coisa. Sua bola é leve, cheia de ângulo e em alguns momentos bastante acelerada, mas seu jogo – quando não tem os famosos apagões – é de uma agressividade impressionante, com subidas à rede e paralelas lá do fundo que tiram o sono de qualquer um. Djokovic vem fazendo um jogo bastante agressivo também, mas ele já tem mais força e peso na bola do que o espanhol e o suíço. No tênis feminino, então, meu Deus, a força tem sido a tônica dos jogos das meninas há algum tempo.
O que quero dizer é que parece que o esporte que já primou pela elegância tem tomado rumos cada vez mais distantes do que se imaginou um dia, encurtando o espaço da estética e técnica do jogo, aumentando o da resistência, força e virilidade. Por isso que os fãs mais novos de tênis não dão muita atenção a jogadores como Llodra, outros criticam a postura “blasé” de Roger Federer e alguns nem conhecem Justine Henin (acredite!), apenas a Sharapova... Em uma época onde todos os esportes tendem a ficar cada vez mais físicos e menos técnicos, começa a faltar espaço para homens e mulheres como estes no gosto popular.
Para aqueles que não entendem bem o que estou falando, fiquem com os vídeos abaixo e vejam que agressividade e pancadaria não têm a menor relação; que jogar do fundo da quadra e jogar apenas no contra ataque são coisas bem diferentes. Pode ser pura nostalgia, admito. Mas divirtam-se com os vídeos! Eu me diverti muito...
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Quartas de final do Australian Open – parte 2
Vera Zvonareva x Petra KvitovaA russa número dois do mundo fez o que vinha fazendo até aqui neste torneio: jogou muito bem do fundo da quadra, agredindo e defendendo com competência. O resultado disso foi a vitória em sets diretos. E teria sido ainda mais fácil se ela não tivesse passado por um apagão no melhor estilo Roger Federer no segundo set. Tem tudo para fazer um jogo espetacular na semifinal contra Kim Clijsters. E, minha opinião, esta é a final antecipada: quem passar vence o torneio. É esperar pra ver.
Kim Clijsters x Agnieszka Radwanska
A belga jogou muito abaixo do que pode e até mesmo do que vinha jogando. Errando muito no ataque e no saque, Clijsters deu muitas chances para Radwanska crescer no jogo. Apesar do resultado em sets diretos, a número três do mundo não teve vida fácil, sendo salva nos momentos críticos pelo seu enorme talento. Lances espetaculares e bolas inimagináveis a tiraram do sufoco sempre que precisou. Na média, porém, não esteve bem em quadra. Vamos ver se evolui seu jogo para a semifinal, o que precisará muito fazer, pois Zvonareva vem jogando de forma muito sólida e consistente. Se quiser passar pela russa e avançar à final, precisará fazer bem mais do que fez ontem. Seja como for, pelo enorme talento que tem, ainda é, em minha opinião, a favorita ao título.
Andy Murray x Alexandr Dolgopolov
Pela primeira vez neste torneio Murray teve que trabalhar muito para vencer uma partida. O jogo imprevisível de Dolgopolov complicou a vida do britânico que só conseguiu achar seu ritmo no quarto set, quando fechou o jogo com facilidade. Murray enfrenta Ferrer na semifinal, tenista contra quem tem retrospecto negativo. Lembrando que o número cinco do mundo tem que defender os pontos do vice campeonato do ano passado. Apesar de Ferrer vir jogando muito bem este ano e levar vantagem nos confrontos diretos, ainda acho que Murray passa à final.
Rafael Nadal x David Ferrer
O jogo que prometia ser uma barbada para Rafael Nadal se transformou em seu calvário logo no início do primeiro set, quando o espanhol sentiu dores na perna esquerda. Foram vários os pedidos de atendimento médico, mas não teve jeito, Ferrer avança. É importante ressaltar que o número sete do mundo fez, independentemente da lesão de Nadal, uma bela partida, atacando e arriscando mais do que de costume, com belas bolas anguladas e paralelas aceleradas arrasadoras. Mesmo se o número um do mundo não estivesse lesionado, a partida poderia ter sido endurecida para ele, dada a grande atuação do espanhol número dois de seu país. No fim das contas quem avança é Ferrer, que tem um retrospecto positivo sobre Murray. Vamos ver como ele comportará nesse jogo. A rodada promete.
Algo digno de nota nesta rodada foi a postura de Rafael Nadal na partida. Lesionado, sentindo muitas dores e visivelmente fora de condições de disputar a partida de igual para igual, o espanhol não abandonou a disputa e suportou até o fim do terceiro set. Um exemplo de bravura e luta de alguém que não precisava mais disso, pois já havia conseguido defender os pontos que consquistara no torneio no ano passado. Não sabemos o quanto este comportamento pode agravar a lesão e prejudicar o resto da temporada do número um do mundo, mas fica um aplauso de pé para ele pela postura de vencedor, desportista e cavalheiro.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
As oitavas de final do Australian Open – parte 2
Alexandr Dolgopolov x Robin Soderling Assim como eu, mais da metade do planeta errou esta previsão. Soderling vinha bem demais no torneio, com vitórias convincentes e grandes apresentações. O ucraniano não ligou pra nada disso e venceu o sueco, garantindo vaga nas quartas, onde enfrentará um embaladíssimo Andy Murray. Os números não mentem: cinqüenta winners e apenas vinte e três erros não forçados de Dolgopolov em um jogo de cinco sets válido pelas oitavas de final de um Grand Slam contra o número quatro do mundo. Como o próprio Soderling admitiu depois do jogo, o número quarenta e seis do ranking ATP jogou melhor e mereceu vencer.
Andy Murray x Jurgen Melzer
Falar o quê de um jogo de três sets onde o vencedor perde apenas cinco games, comete apenas dez erros não forçados, encaixa trinta winners e faz quase o dobro do total de pontos do adversário? Andy Murray atropelou mais uma vez neste Australian Open e avançou às quartas. Que venha o ucraniano Dolgopolov!
Petra Kvitova x Flavia Pennetta
Este era o jogo que prometia ser o mais equilibrado, mas Schiavone e Kuznetsova roubaram para si este título em seu histórico jogo. Não apenas isso, o jogo não teve a disputa que julguei que teria. Penetta, que vinha bem, rendeu abaixo do esperado nesta partida. Além disso, nos sets em que foram derrotadas, as duas tenistas não impuseram muita resistência à oponente e os placares não foram apertados e decididos na base de muito suor, como imaginei. Seja como for, Kvitova avança e encara uma sólida Zvonareva nas quartas.
Vera Zvonareva x Iveta Benesova
A russa dona dos mais belos olhos do circuito começou meio perdida – algo que já acontecera antes neste Australian Open – mas depois fez tudo voltar ao normal, manteve a solidez de seu jogo e venceu sem susto em sets diretos. A número dois do ranking vai muito bem no torneio e é forte candidata à final. Pena que, se ela e Clijsters vencerem seus próximos jogos, se enfrentam na semifinal. Gostaria muito de ver uma final entre as duas.
David Ferrer x Milos Raonic
Depois de perder o primeiro set, Ferrer venceu sem muitos problemas e agora enfrenta Nadal, que voltou a jogar como número um do mundo. Isso já basta para dizer o tamanho do problema que o número sete do ranking da ATP tem pela frente. Vale destacar aqui o incrível número de erros não forçados do espanhol na vitória sobre o canadense: dez. Isso mesmo. Em um jogo de quatro sets valendo pelas oitavas de final de um Grand Slam, David Ferrer cometeu apenas dez erros não forçados. Mas, em compensação, acertou apenas vinte e três winners. Contra Nadal não adianta não errar, tem que acertar e atacar muito. Vamos ver.
Agnieszka Radwanska x Shuai Peng Este jogo me decepcionou por um lado e me deixou empolgado por outro. Radwanska vindo de vários problemas – até quebrar a raquete em uma devolução ela conseguiu – e Peng vindo embalada e de boas apresentações. Achei que a chinesa fosse levar. A polonesa, porém, se superou e, guerreira, venceu o embate e avançou às quartas. Enfrenta Clijsters, que vem jogando muito bem e é a tenista com mais variedade de golpes no circuito atualmente. Vamos ver o quanto sobrou de energia à Radwanska.
Rafael Nadal x Marin Cilic
O único jogo que pude assistir nesta metade da rodada, e logo o que menos precisa de comentários, basta dizer que Nadal jogou como Nadal, e só. Quando o espanhol joga seu melhor tênis não há possibilidades de vencê-lo se o rival não for Federer também em seu melhor tênis (ok, Davydenko também). Simples assim. Ele agora enfrenta Ferrer, velho freguês, na próxima rodada. Vale lembrar que Nadal só precisa defender pontos de quartas de final neste torneio. Enormes chances de o espanhol abrir ainda mais a vantagem que tem no ranking.
Ekaterina Makarova x Kim Clijsters
A partida começou bem equilibrada, com uma quebra para cada lado. Clijsters tinha dificuldades em confirmar os vários break points que teve (foram mais de dez) e o set acabou indo para o tie break. A belga fez valer sua força e experiência e vence com facilidade por sete a três, abrindo um a zero no jogo. Daí pra frente foi fácil. Com duas quebras no segundo set, a vitória veio tranqüila por seis a dois. A número três do mundo enfrenta agora a polonesa Radwanska.
Que venham as quartas!
sábado, 22 de janeiro de 2011
Que venham as oitavas
Comecemos pelo feminino. A rodada começou com Caroline Wozniacki fazendo uma belíssima apresentação diante de sua recente algoz em Sydney, Dominika Cibulkova. A dinamarquesa foi muito sólida do fundo da quadra, conseguindo conter muito bem os ataques agressivos da adversária, que cometeu muitos erros não forçados. A número um do mundo demonstrou muita paciência e soube esperar o resultado acontecer, sem precisar atacar muito. A eslovaca, por sua vez, não soube variar o jogo e sair da armadilha de Wozniacki, insistindo em pancadas do fundo da quadra. Resultado justo e que mostra bastante evolução da líder do ranking, que só precisa aprender a jogar um pouco mais no ataque – para evitar correr tanto – e lidar melhor com jogadoras que variam mais o jogo, sem tanta pancadaria da linha de base. Sua sorte é que existe pouquíssimas que fazem isso hoje em dia.Depois de Wozniacki veio minha grande decepção no Australian Open até aqui: a derrota de Justine Henin. Não vi esse jogo, mas os números não mentem: a belga teve rendimento muito abaixo do normal. Não sei se a dor no cotovelo que já a incomodou na partida contra Baltacha voltou a dar as caras, mas fato é que a ex número um do mundo está fora do Australian Open. Uma pena, já que ela é uma das poucas que ainda faz algo diferente da pancadaria do fundo da quadra que reina na WTA hoje em dia.
Depois do abandono de Venus no segundo game do primeiro set (sem comentários), foi a vez de Sharapova entrar em quadra. Outro jogo que, infelizmente, não vi. Infelizmente. Admiro a carreira da russa. Não a considero uma tenista dona de recursos espetaculares ou de grandes variações, mas no que se propõe a fazer, ela faz bem. Ninguém ganha três torneios de Grand Slam e se torna número um do mundo por sorte. Além disso, essa sua nova fase da carreira, o reencontro com seu jogo pós-lesão, tem sido muito interessante. Já escrevi aqui sobre o que penso a respeito disso. E continuo achando que ela voltará ao topo, assim que achar uma nova maneira de sacar e atacar dentro das limitações que seu corpo lhe impõe agora. A russa ainda erra muito, mas também força muito o jogo. Vamos ver até onde ela vai. Já é uma vencedora por ter chegado até aqui depois de tudo que passou recentemente.
No primeiro dia da terceira rodada foi isso: digno de nota é a vitória de Na Li. A chinesa vem por fora dos holofotes e vem atropelando. Olho nela.
No segundo dia, Zvonareva suou, mas venceu. Seu jogo continua o mesmo: plantada na linha de base contra atacando muito bem e errando menos do que se esperaria. Assim como Wozniacki, ela faz um bom trabalho do fundo da quadra, mas ainda não tão eficiente como a número um. A seu favor o fato de atacar bem mais e não esperar tanto o jogo acontecer. Ela busca mais o resultado do que a dinamarquesa. Vamos ver como será seu comportamento em um jogo contra alguém que jogue com bolas mais rápidas e que contra ataque bem.

Depois de Zvonareva foi a vez da belga Kim Clijsters entrar em quadra. Irreconhecível, a belga errou demais e quase complica um jogo que não oferecia qualquer risco. No final ela acabou se recuperando e vencendo bem. Acabaram as oportunidades de ter um apagão como esses. Daqui pra frente isso pode ser fatal. Uma bela atropelada nas oitavas pode trazer a boa e velha Kim de volta.
A lamentar, as eliminações de Peer, Stosur (principalmente) e Petrova.
Aguardo ansioso as oitavas. Se fosse apostar nos nomes que vão às quartas, o faria em Wozniacki, Kuznetsova, Sharapova, Na Li, Peng, Clijsters, Pennetta e Zvonareva. Vamos ver, hoje e amanhã, o rumo que as coisas vão tomar.
No masculino a emoção não foi tão grande, salvo algumas exceções. Ferrer, Soderling, Berdych, Verdasco, Almagro, Djokovic e Federer avançaram sem grandes sustos ou maiores problemas. Digno de nota nesses jogos apenas a desistência de Troicki e a surra de Soderling no algoz do brasileiro Bellucci. Roddick levou um susto no primeiro set, mas depois se recuperou e carimbou o passaporte para a próxima rodada.
As decepções da rodada foram Tsonga, que foi atropelado nos dois últimos sets, Baghdatis, que abandonou o jogo no quarto set sem maiores explicações, e Youzhny, um top dez que caiu para o número cento e cinqüenta e dois do mundo.
A batalha da rodada ficou por conta de Isner – como gosta de uma batalha! – e Cilic. Americano e croata lutaram por quase cinco horas e no fim o europeu levou a melhor. Ele agora enfrenta Nadal por uma vaga nas quartas.
E por falar no espanhol, que jogo ele nos proporcionou hoje contra o australiano Bernard Tomic. Aliás, quem nos proporcionou um grande jogo foi este último e não o miura. O jovem talento local não tomou conhecimento de quem estava do outro lado e agrediu muito, com bolas muito rápidas, sempre buscando a linha. Como se diz por aí, teve mais coragem do que juízo. O resultado disso foi que ele converteu mais winners e aces do que o espanhol, em compensação errou muito mais. A vitória de Nadal em sets diretos pode dar uma falsa impressão de que foi conquistada de forma fácil. Não foi mesmo. Foi tudo, menos fácil. Durante o jogo eu comentava que o espanhol cansou, o que ele confirmou após a partida. Fazia muito tempo que eu não via isso acontecer. Tomic deu muito trabalho, valorizou muito a vitória do número um do mundo (o australiano chegou a ter quatro a zero no segundo set). Parabéns ao australiano. Cilic e os fãs de tênis agradecem.Assim como fiz no feminino, vou arriscar os nomes que passam para as quartas: Nadal, Ferrer, Soderling, Murray, Verdasco, Djokovic, Wawrinka e Federer.
Que venham as oitavas!
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Só falo daquilo que vi... (2ª Rodada Australian Open - parte 2)
A primeira coisa que vi na TV foi o treino de Rafael Nadal com um dos boleiros de Melbourne (que roupa o americano escolheu, heim?). Como de costume, o touro espanhol não entrou para brincadeiras e passeou em quadra, não dando a menor chance pro adversário – que ainda deve estar sem acreditar que conseguiu quebrar uma vez o saque do número um do mundo – e conquistando sete aces, trinta e seis winners e quase o dobro do total de pontos de Ryan Sweeting (noventa contra cinqüenta e dois). De positivo para os fãs de Nadal, a disposição, concentração e responsabilidade de sempre. De negativo, muitas duplas faltas e erros não forçados. É verdade que o miura forçou bem mais o jogo do que tradicionalmente faz, mas não o vejo em sua melhor forma ainda neste torneio. Mesmo assim, duvido muito que caia antes das semifinais.
O outro jogo que vi – e gostei – foi o de Marcos Baghdatis contra Juan Martin Del Potro. Belo jogo, mas poderia ter sido ainda melhor se o primeiro acertasse seus primeiros serviços com mais freqüência (foram pífios quarenta e sete por cento de acerto) e o segundo fosse ao menos uma sombra do vencedor do US Open de dois mil e nove. Os números não mentem, vejamos: o ciprioata venceu oitenta e oito por cento dos pontos em que disputou com o primeiro serviço; o argentino cometeu quarenta e um erros não forçados. Sem contar o fato de que aquele forehand arrasador que acabou com Federer em Nova Iorque não existe mais, muito menos a confiança para tentá-los com mais freqüência, já que a maioria deles sai no fundo da quadra. Vale destacar a garra usual dos dois tenistas que, nem que seja mais por isso do que pela exuberante técnica, proporcionaram uma agradabilíssima partida de tênis. Baghdatis avança, mas se não melhorar o aproveitamento de primeiro saque não terá como ir muito mais longe no torneio.
Infelizmente foi só isso que vi, mas vamos falar um pouco dos números, começando por Kim Clijsters. A belga humilhou mais uma vez. Sessenta e três pontos a trinta e nove; vinte e um winners a seis. Ruim mesmo foi o número de erros não forçados: vinte e quatro. Se não fosse por eles, provavelmente seria outra bicicleta da número três do mundo. E ela segue no torneio, em minha opinião, favoritíssima ao título.
Jankovic deu adeus e volta pra casa. Honestamente, não entendo muito a sérvia. Tem horas que me dá a nítida sensação de que ela só entra em quadra pra mostrar a beleza que acha que tem. Não vejo, nem nunca vi, na ex número um do mundo motivação e jogo que a fizesse estar no topo do ranking. Que fase vive a WTA... Ao contrário do que disseram, não acho surpresa sua eliminação precoce. Talvez se ela parar de se preocupar com as pernas, o cabelo e as unhas durante as partidas ela volte ao topo. Até lá, será sempre assim.
Fora a eliminação de Jankovic e o susto no primeiro set do jogo de Zvonareva – que ainda vai se ajustando –, de resto ficou tudo normal: Murray cozinhou, cozinhou e levou fácil: três a zero sem qualquer ameaça em um dos sets; e a maioria dos favoritos venceu seus jogos. A lamentar, a precoce eliminação de Llodra, a desistência de Nalbandian e a eliminação do brasileiro Thomaz Bellucci.
O pupilo de Larri ainda precisa melhorar muito seu jogo e, principalmente, sua cabeça para evoluir no tênis e, consequentemente, subir no ranking. Primeiramente, acho que parte dos problemas do brasileiro são as seguidas maratonas que enfrenta. Não me lembro de um jogo seu que tivesse acabado rápido. Ele passa muito tempo em quadra, o que exige demais de mente e corpo. Em um torneio de Grand Slam – onde a pressão é muito maior – jogado sob um sol brutal como o de Melbourne, isso faz muita diferença. É muito difícil conseguir manter dia após dia a concentração alta e o corpo sadio disputando jogos de quatro a cinco horas seguidamente. Devido a isso e a seu jogo inconstante, não vejo sua eliminação como algo precoce, infelizmente. Bellucci ainda não encontrou algo que se possa chamar de regularidade, por isso não considero surpresa que ele seja eliminado em qualquer rodada de qualquer torneio deste porte. Acho que com uma boa sequência em torneios expressivos, chegando às semifinais e até mesmo finais de ATP 1000, poderemos começar a achar prematura sua eliminação em segundas rodadas de Grand Slam. Até lá, tudo que posso achar é que Bellucci é uma promessa do nosso tênis. Uma promessa que já está passando da hora de se cumprir, mas só uma promessa, infelizmente.
Entre abandonos e eliminações, o Australian Open continua e o cerco vai começando a apertar. A semana decisiva está chegando e os verdadeiros desafios também...
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Só falo daquilo que vi... (1ª Rodada Australian Open – parte 2)

A russa número dois do mundo não teve qualquer dificuldade para passar pela austríaca Sybille Bammer, menos pelo seu bom jogo do que pela pífia performance da adversária. Zvonareva ficou o tempo todo no fundo da quadra se defendendo e esperando o erro que chegaria em breve. E sempre chegava. A vice líder do ranking só precisou ir levando a partida dessa forma morosa e esperar o jogo acabar para vencer com extrema facilidade. A impotência de sua adversária era tamanha que, dos trinta e dois pontos que fez ao todo no jogo, mais da metade (17) vieram de erros não forçados da russa e apenas cinco vieram de winners. Não precisa dizer mais muita coisa. Digno de nota mesmo só o fato de que Zvonareva soube conduzir o jogo dentro do que foi preciso para vencer. Vamos ver se em um embate mais equilibrado, com uma adversária de maior qualidade ela vai agredir mais ou se vai ficar só se defendendo e esperando o erro. Não creio que vá. Não foi assim que chegou à vice liderança do ranking. Outra coisa que vai precisar fazer para ter vida longa no torneio é calibrar mais a mão, pois em um jogo tão fácil como o de ontem ela não poderia ter se dado ao luxo de cometer tantos erros (além dos dezessete não forçados, foram cinco duplas faltas).

A última coisa que vi antes de dormir foi Rafael Nadal se aquecendo na quadra principal. Quando ele soube que seu adversário não iria jogar, ele dispensou seu ajudante de aquecimento e foi pra casa com mais uma vitória no currículo. Brincadeiras à parte, Daniel não entrou em quadra. E, honestamente, sem querer julgar, acusar ou condenar, fiquei com a pulga atrás da orelha com essa dor no joelho. Em momento algum desde o sorteio da chave se falou em problemas físicos do brasileiro. Após o jogo, o gaúcho disse que sentiu a lesão há dois dias durante um treinamento e por isso não conseguia se movimentar bem em quadra. Seja como for, o primeiro set foi horroroso e Daniel dava mais aro e isolava mais a bola do que eu nos meus sábados. Sua concentração parecia ter ficado no Brasil, de tão desligado que aparentava estar do jogo. Não sei mesmo o que se passou na cabeça dele, mas não parecia ser só o joelho. O problema, pelo menos no primeiro set, não pareceu ser físico, mas técnico. Mas independente de qualquer coisa, não temos o direito de duvidar da palavra de um atleta profissional e que já provou ser bastante correto. Mas que deu pra estranhar, deu...
Gostaria apenas de ressaltar o baixo rendimento de Nadal no jogo. Em uma partida tão curta e tão fácil o número um do mundo não poderia ter cometido dez erros não forçados e três duplas faltas. A não ser que já tivesse sentido que estava treinando e aproveitou para calibrar a mão, ousando e, consequentemente, errando mais. Se não foi por esse motivo, é bom o espanhol abrir o olho.

E a Kim Clijsters, heim? Mostrou para Safina o que é ser número um de verdade. E só cometeu quatro erros não forçados durante todo o jogo. Quatro. Além de nenhuma dupla falta e dezessete winners. Ao todo foram cinqüenta e um pontos contra dezesseis da russa. Essa vai demorar pra descer, vai ter que ajudar com vodka. Segura a belga!
Pra encerrar: não vi o jogo do Bellucci, mas às vezes tenho a impressão de que ele é o tenista do circuito que mais ama o que faz. Sempre que possível, estende o jogo até onde não dá mais e só então decide jogar e ganhar. Gosta muito de ficar na quadra esse rapaz...
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Nadal x Federer, a (insuportável) questão que não quer calar
Antes de mais nada, gostaria de falar que não vim aqui para defender este ou aquele tenista, mas sim para falar daquilo que vejo em quadra, só isso. É bem verdade que o que enxergo não é, definitivamente, a verdade, mas é o que, pelo menos para mim, funciona como tal no momento, então é disso que vou falar, é nisso que vou me basear para exprimir minha opinião sobre este assunto que se tornou enfadonho para qualquer fã do tênis.
Não sou tenista profissional, sou apenas um “sabadeiro”, apaixonadíssimo por esse esporte tão incrível. Acompanho tênis desde a época de Lendl, Edberg e Becker, ou seja, vi caras incríveis jogando. Não tive o prazer de acompanhar outros ainda mais sensacionais, mas me dou por satisfeito com as feras que tive o prazer de ver jogar e os jogos incríveis que seus não menos incríveis talentos me proporcionaram. É nesse contexto que escrevo sobre tênis, ok?
Bom, minha resposta à pergunta que está se tornando piada (pra quem ainda não sacou qual é, lá vai: quem é melhor, Nadal ou Federer?) é: depende. Depende de que Federer e de que Nadal estamos falando para saber qual dos dois é melhor. Hoje, em janeiro de 2011, não sei dizer, mas em dezembro de 2010 era Nadal. Por todo o ano de 2009 também foi Nadal. 2011 promete muito, pois Federer parece que veio pra lutar outra vez pelo topo. Seja como for, Nadal hoje ganha mais, é mais consistente, é mais agressivo e mais eficiente do que Federer, ponto final. O problema dos fãs do suíço é não admitir isso, porque Federer é, indiscutivelmente, um tenista infinitamente mais habilidoso e, ousaria dizer, inteligente do que o espanhol. Eles, os fãs, não conseguem ver que a pergunta não quem é o mais habilidoso, mas sim quem é melhor e, como disse, nos últimos dois anos os títulos, torneios e números não me deixam mentir: Nadal foi – ou está – melhor do que Federer.
A grande sombra que paira sobre os dois é: mas todos dizem, inclusive Sampras e Borg, que Federer é o melhor de todos os tempos. Ora, disso até os fãs de Nadal não duvidam (os que têm bom senso, pelo menos). Federer é um tenista habilidoso, inteligente, fantástico, voa e tem capa vermelha! Ops, os dois últimos não, mas Federer é, indiscutivelmente, todo o resto. Jogar tênis pra ele é muito fácil, muito mesmo. Certa vez vi Maria Esther Bueno (veja a quem estou atribuindo a afirmação que se segue) dizer em uma transmissão de um dos jogos do suíço que é realmente impressionante como ele faz as coisas mais incríveis e difíceis parecerem fáceis. Não sou eu o louco quem vai dizer o contrário. De forma alguma. Além disso, Federer tem os números a seu favor: quebrou quase todos os recordes da era aberta do tênis. Não se discute, implica ou qualquer coisa do tipo com um atleta assim. E olha que nem me refiro a seu comportamento de verdadeiro gentleman. A pergunta que faço é: Federer ser um gênio transforma Nadal em um tenista pior (ou ruim)? Olha, ao contrário, só o torna ainda melhor.
Nadal é um tenista “bruto”, que joga quase 100% do tempo com o seu físico no limite, não possui lá aquela habilidade que se faça menção no hall of fame, mas não se pode dizer que é somente um cara que se defende, que não sabe atacar, que isso ou aquilo. Nadal é craque! É um monstro do fundo da quadra. Ataca lá de trás como ninguém, repito, ninguém faz no circuito atualmente e, quiçá, já fez um dia. E olha que vi Lendl, heim... O espanhol tem um vigor invejável e um spin de tirar o juízo dos destros com backhand de uma mão só, como Federer. Não tirem isso dele. Acho que Nadal em um dia bom consegue trocar bolas rápidas e agressivas do fundo da quadra por horas sem cometer um erro não forçado que seja. E não venham com essa de que ele só passa bola para o outro lado porque isso é mentira. Nadal agride o tempo todo, principalmente as esquerdas dos rivais. Sua bola é muito angulada e com muito, muito efeito, tornando mais difícil contra atacar. Quem joga tênis sabe disso.
Antes de encerrar este mais do que batido assunto, devo dizer que o fato de Federer ser um mago só mostra o quanto Nadal tem talento, pois o suíço é seu freguês absoluto. O espanhol tem a chance de quebrar a maioria – talvez todos – os recordes que o suíço conseguiu obter na carreira. Ainda assim não acho que os tenistas e a imprensa especializada o reconhecerão como o melhor de todos os tempos (dada a genialidade incontestável do rival), mas seu nome ficará lá, como o de Coringa fica na história do Batman e o de Batman na história do Coringa. Federer precisou de Nadal para se tornar o que é e vice-versa. Um não existe sem o outro, ponto. Acho que Nadal leva pequena vantagem, pois só tem Federer como rival à altura. Na época que o suíço se tornou profissional ainda havia Guga, Sampras, Agassi, Moya, Safin, dentre outros, no circuito. Ainda havia algum desafio mais crítico, o que o espanhol, infelizmente, não tem. Ele só tem dois adversários capazes de superá-lo com autoridade: seu próprio físico e Roger Federer. E vale lembrar que, quando Federer ascendeu ao topo, já não havia mais ninguém no mesmo nível que ele além do Miura.
Para concluir, vamos deixar esta briga de lado e curtir o tênis que os dois tenistas nos ensinam, vale mais a pena. Ambos dão show em quadra, cada um a seu modo, pronto. Eu, particularmente, gosto muito mais do estilo de jogo de Federer, sou seu fã absoluto, mas não entro na polêmica. Acho Nadal fantástico demais para ficar “procurando pelo em ovo”. Ele joga um tênis bonito? Raramente. Ele joga demais e vence todo mundo que passa pela frente, inclusiveo suíço? Frequentemente. Não vamos confundir uma possível “falta de habilidade” com jogar mal, ok? Ele joga é muito tênis! Do mesmo modo, não vamos analisar Federer pelos resultados ruins que vez ou outra ele passa, mas pelo todo de seu jogo, que é inigualável. E, lembre, não sou eu só quem diz: os mais incríveis jogadores da história do tênis também o fazem.
Minha torcida para conquistar os quatro Grand Slam no mesmo ano continua para Federer, mas o importante é que o bom tênis vença sempre. É isso, já se passaram 25 segundos. Vamos ao jogo!



