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domingo, 13 de fevereiro de 2011

De fato e de direito...


Não fosse a existência de Justine Henin no circuito, o título deste post seria “de onde nunca deveria ter saído”. Isso para falar da merecida volta de Kim Clijsters ao topo do ranking da WTA. À exceção de sua compatriota belga, Kim tem o tênis mais completo e envolvente do circuito feminino dos últimos anos, defendendo e atacando muito bem. Ela é muito inteligente e agressiva em quadra, mas consegue fazer isso sem se limitar às pancadas da linha de base. Com Henin fora aposentada, merece, há muito tempo, o número um. E agora ela está lá de volta.

Clijsters não vem jogando muitos torneios, está em outra fase da carreira, já é mãe, já não é mais uma menina em busca de provar para o mundo o seu valor. Ela é uma tenista consolidada, que já esteve no lugar mais alto do ranking, já venceu muito e joga porque quer. Ainda assim, disputando um número bem menor de torneios do que a média das rivais, conseguiu voltar ao topo. E creio que ficará lá por algum tempo.

O jeito de ser de Kim também a transforma em uma colecionadora de fãs ao redor do mundo, pois o sorriso sempre presente no rosto, o bom humor e a simpatia a todo instante fazem dela objeto de adoração por fãs e até mesmo colegas de profissão.

A volta da belga ao número um é justíssima e era aguardada pela comunidade tenística há muito tempo. E esta mesma comunidade não quer que o tempo passe, pois este pode ser o último ano da carreira de Clijsters. Só nos resta aguardar e torcer para que isso não aconteça.

O DJ do torneio em Paris foi sábio ao colocar na P.A a música “don’t stop ‘til you get enough ” de Michael Jackson ao fim do jogo. Não pare, Kim, não pare. Não se dê por satisfeita ainda. E parabéns pelo número um!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ela merece!

Que grande jogo tivemos nesta manhã de sábado (noite na Austrália)! A final feminina do Australian Open reuniu as duas melhores jogadoras do torneio: Kim Clijsters – que, para mim, com a aposentadoria de Henin passou a ser a melhor em atividade – e Na Li. Uma, tricampeã do US Open, ex número um do mundo e em ótima forma técnica. A outra, fazendo história em seu continente, chegando a uma final de um torneio de Grand Slam pela primeira vez, jogando um ótimo tênis. A primeira chegava como favorita, a segunda como azarão, mas a coisa quase se inverteu na hora que a bola começou a viajar pela quadra.

Na Li fez um belo primeiro set, enquanto Clijsters errou muito e não conseguiu manter o equilíbrio do jogo por muito tempo. Resultado: perdeu a primeira parcial. Mas a partir da metade do segundo set as coisas começaram a andar bem para a belga, que venceu com certa facilidade. A chinesa começou a pressionar mais, errar mais e Kim a errar menos, controlando cada vez melhor os pontos e o jogo. No fim, venceu a melhor. Melhor na partida, melhor no torneio, melhor no circuito. Ela agora parte em busca do primeiro lugar do ranking mais uma vez, já que subiu uma posição e está bem perto de Wozniacki, que defende muitos pontos este ano. Vamos ver como será sua temporada.

Ficam aqui os parabéns à chinesa, que fez uma campanha extraordinária. Mais do que isso, faz uma temporada extraordinária, perdendo pela primeira vez no ano nesta final contra Clijsters, tendo sido campeã em Sydeney. Eu falava dela desde o início do torneio, que vinha quietinha, à margem das câmeras, e que poderia chegar muito longe em Melbourne. E chegou. E, por pouco, não ficou com o título. Espero que ela mantenha o ritmo ao longo do ano. A WTA está precisando ganhar emoção. O jogo de pancadaria e/ou de balõezinhos lá do fundo da quadra precisa evoluir, precisa melhorar. Henin abandonou a carreira. Vamos ver se Serena volta a jogar com um pouco mais de vontade e Clijsters joga mais torneios. Precisamos de um pouco mais de inteligência e habilidade dentro da quadra. Os fãs agradecem.

Quanto a Clijsters, não há muito o que dizer que eu já não o tenha feito ao longo deste torneio. A belga joga um tênis gostoso de ver, é muito carismática, ilumina o circuito com seu sorriso despojado e é a mais talentosas de todas as tenistas que estão aí. Tomara que jogue muito ainda este ano, pois queremos vê-la levantar muitos troféus. Ela merece!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Que semifinais!

Grandes jogos nesta primeira noite de semifinais do Australian Open! Sem muita embromação, vamos a eles!

Caroline Wozniacki x Na Li
O jogo que mostraria de verdade se a número um do mundo estava preparada para vencer um Grand Slam não foi muito diferente do que eu esperava: cheio de possibilidades e com a vitória podendo ficar para qualquer um dos lados. Apostei em Wozniacki porque a solidez que apresenta do fundo de quadra, defendendo muito bem, poderia ser decisiva novamente se Na Li errasse muito. E quase foi assim, quase. No primeiro set a dinamarquesa venceu com certa facilidade. No segundo, chegou a ter um match point, mas não aproveitou e a chinesa acabou vencendo. No terceiro, errando menos, ficou mais fácil para a número onze do mundo vencer a defensiva tenista líder do ranking, que não marcou um único winner sequer nesta parcial. Wozniacki precisa rever sua estratégia. Sem atacar não se manterá onde está por muito mais tempo. Seja como for, a chinesa – que joga um ótimo tênis – avança e enfrenta Kim Clijsters em uma final com gosto de revanche para a belga. É só esperar pra ver.

Kim Clijsters x Vera Zvonareva
Jogo que se desenhou muito diferente do que a maioria previa. A belga número três (agora número dois) do mundo venceu, sem qualquer dificuldade, a russa dos belos olhos azuis. Zvonareva não conseguiu superar o jogo sólido, agressivo e competente de Clijsters, que entrou extremamente concentrada e sem os apagões de partidas anteriores. Como eu disse ontem, a facilidade que encontrava nos outros jogos lhe dava o direito de ousar e tentar mais variações. A belga respeitou Zvonareva e jogou com menos risco, mas não menos agressividade. É impressionante sua capacidade como tenista, dá gosto de ver. Ela agora enfrenta Na Li na final e pode ter sua revanche de Sydney. Grande final, que premia as duas jogadoras que apresentaram o melhor tênis do torneio.

Novak Djokovic x Roger Federer
O jogo mais esperado das semifinais teve um resultado diferente do previsto pela maioria. Não pela vitória de Djokovic, mas por ter sido em sets diretos e sobre um Federer que não conseguiu jogar. O suíço voltou a forçar o jogo do fundo da quadra, sem a agressividade que o fez atropelar Wawrinka, e vencer os dois primeiros sets contra Simon, por exemplo. Mas quem viu o jogo sabe que isso se deu porque o sérvio jogou demais e não deixou o número dois do mundo jogar. Ele distribui pancada atrás de pancada, bolas muito rápidas e certeiras, além de ter sacado melhor hoje. A vitória foi justa e Federer foi bastante elegante ao dizer após o jogo que hoje ele enfrentou alguém que estava melhor do que ele na quadra, simples assim. Djokovic agora espera o resultado da semifinal entre Andy Murray e David Ferrer para ver quem será seu adversário em mais essa final de Australian Open. Bi campeonato à vista? Só esperando para ver.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Enfim, as semifinais!

Chegamos às semifinais. Quatro tenistas em cada categoria brigam por duas vagas na final do primeiro torneio Grand Slam do ano, que nesta edição não traz muitas surpresas para a reta final. Há, entretanto, promessas de jogos memoráveis que podem entrar para a história. Vamos aos jogos e a uns palpites do que pode acontecer, começando pelo feminino, depois com o masculino. Vamos lá.

Caroline Wozniacki x Na Li
Tem tudo para ser um grande jogo e, honestamente, não creio que Na Li vá avançar. Apesar de estar jogando muito bem neste Australian Open, melhor até do que a rival, a chinesa pode se irritar com as defesas incansáveis de Wozniacki e começar a cometer muitos erros não forçados, o que contra a dinamarquesa é determinante no resultado. A número um do mundo não tem o hábito de atacar – consequentemente erra muito pouco – o que torna fatal cometer muitas falhas contra ela. Tem sido assim durante todo o caminho de sua ascensão ao topo do ranking, e neste torneio não foi diferente: Wozniacki defendeu muito, errou pouco e avançou. Precisa de mais do que isso para se manter como número um e superar tenistas mais habilidosas, com um jogo mais variado do que as que andam por aí, como Clijsters, por exemplo. Na Li, apesar de jogar muito bem, é uma adepta da pancadaria da linha de base com muita velocidade. Se a dinamarquesa resistir a isso, avança. Se a chinesa variar mais o jogo, trazendo a adversária para dentro da quadra, para a rede, forçando-a a buscar alternativas, ela passa. Vamos ver como ambas vão se comportar. Como me obrigo a dar um palpite, vou de Wozniacki.

Kim Clijsters x Vera Zvonareva
Em minha opinião, a final antecipada do torneio. Acho que quem vencer esta partida, vence o Australian Open este ano. Zvonareva bateu na trave nos dois últimos slams. Clijsters venceu o último do ano passado. A Rod Laver Arena vai pegar fogo, com certeza. A russa vem fazendo jogos mais homogêneos, melhorando a cada jogo e ganhando muita confiança. Atacando e defendendo muito bem do fundo da quadra, só foi incomodada quando teve “apagões”. Enquanto a concentração esteve em alta, não deu chance para ninguém. Clijsters, por sua vez, oscila bem mais. Alguns jogos são muito bons, outros nem tanto. Durante os jogos tem momentos brilhantes e outros pífios. O que a diferencia das demais é a imensa habilidade e inteligência. E é isso que tem feito toda a diferença. Na hora que “o bicho pega”, seu talento a tira do buraco e a faz avançar, o que conseguiu fazer sem perder sets na competição até agora. Acredito em um bom jogo e também penso que muitos dos erros que a belga vem cometendo podem ser em função da “facilidade” que vem encontrando nas partidas. Ela ousa mais, arrisca mais, pois sabe que pode não ter outra chance para fazer isso mais para frente. Contra Zvonareva, por exemplo, não vai poder se dar ao luxo de errar tanto. Seu jogo terá que ser mais preciso, mas não menos ousado, agressivo e genial. É uma pena que ambas se enfrentem antes da final, mas não tem jeito. Como tenho que apostar, aposto em Clijsters.

Já no masculino...

David Ferrer x Andy Murray
Este jogo pode ter um resultado inesperado. Ferrer, o único que considero surpresa nas semifinais, não é um tenista conhecido por atacar e sufocar o adversário, mas vai atrás de todas as bolas e comete poucos erros não forçados, o que irrita demais adversários que já tendem a perder a cabeça, o que é o caso de Andy Murray. O número cinco do mundo é, em minha opinião, um dos mais habilidosos tenistas do circuito, mas é também muito instável. Se mantiver a cabeça no lugar e agredir mais – outro problema em seu jogo – pode avançar à sua segunda final consecutiva no Australian Open. O espanhol, por sua vez, vem jogando um tênis mais agressivo do que o de costume, o que pode surpreender, mas também ajudar, o britânico. Murray é “freguês” de Ferrer, mas eu não o subestimaria por isso. Ele fez um torneio espetacular até aqui, apresentando um jogo muito sólido e consistente. Se mantiver o ritmo e, principalmente, a cabeça no lugar, é candidato ao título, mesmo se enfrentar Federer na final. Acho que ele avança.

Novak Djokovic x Roger Federer
O jogo reunirá os dois tenistas que apresentam, em minha opinião, o melhor tênis desta edição do Australian Open. Federer teve alguns de seus apagões, mas quando está em quadra tem sido imbatível, quase perfeito. O suíço está jogando como há muito não fazia, agredindo e sufocando os adversários de uma maneira que os impede de reagir. Que o diga Wawrinka, que tentou de tudo, mas não chegou nem perto de incomodar. Djokovic – que já disse que entra em quadra para esta partida sem nada a perder –, por sua vez, tem distribuído pancada pra todos os lados, não dando qualquer chance aos adversários. É bem verdade que não enfrentou ainda ninguém do nível de Federer, mas atropelou Almagro e Berdych, adversários perigosos (apesar de eu não considerar o tcheco o craque que dizem, ele é perigoso), sem tomar conhecimento. Se o número dois do mundo não se mantiver focado no jogo o tempo inteiro, pode dar adeus à chance de ir a mais uma final de Grand Slam. Aposto em Federer, não só pelo histórico vencedor sobre Djokovic, mas pelo tênis que vem jogando. Se mantiver o ritmo por todo o ano, vai ser difícil não recuperar o número um do ranking e, quem sabe, até vencer os quatro torneios de Grand Slam. A temporada promete. Mas enquanto isso, fiquemos com as grandes semifinais que começam hoje.

Quartas de final do Australian Open – parte 2

Acabaram as quartas de final e os quatro melhores tenistas do mundo no momento em suas categorias foram definidos. Foram grandes jogos nesta segunda noite da rodada. Vamos a eles.

Vera Zvonareva x Petra Kvitova
A russa número dois do mundo fez o que vinha fazendo até aqui neste torneio: jogou muito bem do fundo da quadra, agredindo e defendendo com competência. O resultado disso foi a vitória em sets diretos. E teria sido ainda mais fácil se ela não tivesse passado por um apagão no melhor estilo Roger Federer no segundo set. Tem tudo para fazer um jogo espetacular na semifinal contra Kim Clijsters. E, minha opinião, esta é a final antecipada: quem passar vence o torneio. É esperar pra ver.

Kim Clijsters x Agnieszka Radwanska
A belga jogou muito abaixo do que pode e até mesmo do que vinha jogando. Errando muito no ataque e no saque, Clijsters deu muitas chances para Radwanska crescer no jogo. Apesar do resultado em sets diretos, a número três do mundo não teve vida fácil, sendo salva nos momentos críticos pelo seu enorme talento. Lances espetaculares e bolas inimagináveis a tiraram do sufoco sempre que precisou. Na média, porém, não esteve bem em quadra. Vamos ver se evolui seu jogo para a semifinal, o que precisará muito fazer, pois Zvonareva vem jogando de forma muito sólida e consistente. Se quiser passar pela russa e avançar à final, precisará fazer bem mais do que fez ontem. Seja como for, pelo enorme talento que tem, ainda é, em minha opinião, a favorita ao título.

Andy Murray x Alexandr Dolgopolov
Pela primeira vez neste torneio Murray teve que trabalhar muito para vencer uma partida. O jogo imprevisível de Dolgopolov complicou a vida do britânico que só conseguiu achar seu ritmo no quarto set, quando fechou o jogo com facilidade. Murray enfrenta Ferrer na semifinal, tenista contra quem tem retrospecto negativo. Lembrando que o número cinco do mundo tem que defender os pontos do vice campeonato do ano passado. Apesar de Ferrer vir jogando muito bem este ano e levar vantagem nos confrontos diretos, ainda acho que Murray passa à final.

Rafael Nadal x David Ferrer
O jogo que prometia ser uma barbada para Rafael Nadal se transformou em seu calvário logo no início do primeiro set, quando o espanhol sentiu dores na perna esquerda. Foram vários os pedidos de atendimento médico, mas não teve jeito, Ferrer avança. É importante ressaltar que o número sete do mundo fez, independentemente da lesão de Nadal, uma bela partida, atacando e arriscando mais do que de costume, com belas bolas anguladas e paralelas aceleradas arrasadoras. Mesmo se o número um do mundo não estivesse lesionado, a partida poderia ter sido endurecida para ele, dada a grande atuação do espanhol número dois de seu país. No fim das contas quem avança é Ferrer, que tem um retrospecto positivo sobre Murray. Vamos ver como ele comportará nesse jogo. A rodada promete.

Algo digno de nota nesta rodada foi a postura de Rafael Nadal na partida. Lesionado, sentindo muitas dores e visivelmente fora de condições de disputar a partida de igual para igual, o espanhol não abandonou a disputa e suportou até o fim do terceiro set. Um exemplo de bravura e luta de alguém que não precisava mais disso, pois já havia conseguido defender os pontos que consquistara no torneio no ano passado. Não sabemos o quanto este comportamento pode agravar a lesão e prejudicar o resto da temporada do número um do mundo, mas fica um aplauso de pé para ele pela postura de vencedor, desportista e cavalheiro.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

As oitavas de final do Australian Open – parte 2

Lá se foi a segunda noite das oitavas de final e com ela alguns favoritos. Infelizmente só vi o jogo de Rafael Nadal, então terei que falar apenas baseado nos números. Antes, porém, lembremos quem apontei como os prováveis sobreviventes à rodada: Nadal, Ferrer, Soderling, Murray, Peng, Clijsters, Pennetta e Zvonareva. Errei três novamente. Agora sim, vamos aos jogos.

Alexandr Dolgopolov x Robin Soderling
Assim como eu, mais da metade do planeta errou esta previsão. Soderling vinha bem demais no torneio, com vitórias convincentes e grandes apresentações. O ucraniano não ligou pra nada disso e venceu o sueco, garantindo vaga nas quartas, onde enfrentará um embaladíssimo Andy Murray. Os números não mentem: cinqüenta winners e apenas vinte e três erros não forçados de Dolgopolov em um jogo de cinco sets válido pelas oitavas de final de um Grand Slam contra o número quatro do mundo. Como o próprio Soderling admitiu depois do jogo, o número quarenta e seis do ranking ATP jogou melhor e mereceu vencer.

Andy Murray x Jurgen Melzer
Falar o quê de um jogo de três sets onde o vencedor perde apenas cinco games, comete apenas dez erros não forçados, encaixa trinta winners e faz quase o dobro do total de pontos do adversário? Andy Murray atropelou mais uma vez neste Australian Open e avançou às quartas. Que venha o ucraniano Dolgopolov!

Petra Kvitova x Flavia Pennetta
Este era o jogo que prometia ser o mais equilibrado, mas Schiavone e Kuznetsova roubaram para si este título em seu histórico jogo. Não apenas isso, o jogo não teve a disputa que julguei que teria. Penetta, que vinha bem, rendeu abaixo do esperado nesta partida. Além disso, nos sets em que foram derrotadas, as duas tenistas não impuseram muita resistência à oponente e os placares não foram apertados e decididos na base de muito suor, como imaginei. Seja como for, Kvitova avança e encara uma sólida Zvonareva nas quartas.

Vera Zvonareva x Iveta Benesova
A russa dona dos mais belos olhos do circuito começou meio perdida – algo que já acontecera antes neste Australian Open – mas depois fez tudo voltar ao normal, manteve a solidez de seu jogo e venceu sem susto em sets diretos. A número dois do ranking vai muito bem no torneio e é forte candidata à final. Pena que, se ela e Clijsters vencerem seus próximos jogos, se enfrentam na semifinal. Gostaria muito de ver uma final entre as duas.

David Ferrer x Milos Raonic
Depois de perder o primeiro set, Ferrer venceu sem muitos problemas e agora enfrenta Nadal, que voltou a jogar como número um do mundo. Isso já basta para dizer o tamanho do problema que o número sete do ranking da ATP tem pela frente. Vale destacar aqui o incrível número de erros não forçados do espanhol na vitória sobre o canadense: dez. Isso mesmo. Em um jogo de quatro sets valendo pelas oitavas de final de um Grand Slam, David Ferrer cometeu apenas dez erros não forçados. Mas, em compensação, acertou apenas vinte e três winners. Contra Nadal não adianta não errar, tem que acertar e atacar muito. Vamos ver.


Agnieszka Radwanska x Shuai Peng
Este jogo me decepcionou por um lado e me deixou empolgado por outro. Radwanska vindo de vários problemas – até quebrar a raquete em uma devolução ela conseguiu – e Peng vindo embalada e de boas apresentações. Achei que a chinesa fosse levar. A polonesa, porém, se superou e, guerreira, venceu o embate e avançou às quartas. Enfrenta Clijsters, que vem jogando muito bem e é a tenista com mais variedade de golpes no circuito atualmente. Vamos ver o quanto sobrou de energia à Radwanska.

Rafael Nadal x Marin Cilic
O único jogo que pude assistir nesta metade da rodada, e logo o que menos precisa de comentários, basta dizer que Nadal jogou como Nadal, e só. Quando o espanhol joga seu melhor tênis não há possibilidades de vencê-lo se o rival não for Federer também em seu melhor tênis (ok, Davydenko também). Simples assim. Ele agora enfrenta Ferrer, velho freguês, na próxima rodada. Vale lembrar que Nadal só precisa defender pontos de quartas de final neste torneio. Enormes chances de o espanhol abrir ainda mais a vantagem que tem no ranking.

Ekaterina Makarova x Kim Clijsters
A partida começou bem equilibrada, com uma quebra para cada lado. Clijsters tinha dificuldades em confirmar os vários break points que teve (foram mais de dez) e o set acabou indo para o tie break. A belga fez valer sua força e experiência e vence com facilidade por sete a três, abrindo um a zero no jogo. Daí pra frente foi fácil. Com duas quebras no segundo set, a vitória veio tranqüila por seis a dois. A número três do mundo enfrenta agora a polonesa Radwanska.

Que venham as quartas!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Que venham as oitavas

Lá se foi a terceira rodada, joio separado do trigo e chegou, enfim, a hora de passar pela porta estreita. Muitos foram chamados, poucos os escolhidos e, destes, apenas um erguerá a taça. Sobraram no torneio os dezesseis melhores homens e mulheres tenistas do momento, que brigam pelo título do primeiro Grand Slam da temporada. Vou falar um pouco sobre o último passo antes das oitavas de final, separando a análise entre homens e mulheres, diferentemente do que vinha fazendo até aqui, quando separava por dia.

Comecemos pelo feminino. A rodada começou com Caroline Wozniacki fazendo uma belíssima apresentação diante de sua recente algoz em Sydney, Dominika Cibulkova. A dinamarquesa foi muito sólida do fundo da quadra, conseguindo conter muito bem os ataques agressivos da adversária, que cometeu muitos erros não forçados. A número um do mundo demonstrou muita paciência e soube esperar o resultado acontecer, sem precisar atacar muito. A eslovaca, por sua vez, não soube variar o jogo e sair da armadilha de Wozniacki, insistindo em pancadas do fundo da quadra. Resultado justo e que mostra bastante evolução da líder do ranking, que só precisa aprender a jogar um pouco mais no ataque – para evitar correr tanto – e lidar melhor com jogadoras que variam mais o jogo, sem tanta pancadaria da linha de base. Sua sorte é que existe pouquíssimas que fazem isso hoje em dia.

Depois de Wozniacki veio minha grande decepção no Australian Open até aqui: a derrota de Justine Henin. Não vi esse jogo, mas os números não mentem: a belga teve rendimento muito abaixo do normal. Não sei se a dor no cotovelo que já a incomodou na partida contra Baltacha voltou a dar as caras, mas fato é que a ex número um do mundo está fora do Australian Open. Uma pena, já que ela é uma das poucas que ainda faz algo diferente da pancadaria do fundo da quadra que reina na WTA hoje em dia.

Depois do abandono de Venus no segundo game do primeiro set (sem comentários), foi a vez de Sharapova entrar em quadra. Outro jogo que, infelizmente, não vi. Infelizmente. Admiro a carreira da russa. Não a considero uma tenista dona de recursos espetaculares ou de grandes variações, mas no que se propõe a fazer, ela faz bem. Ninguém ganha três torneios de Grand Slam e se torna número um do mundo por sorte. Além disso, essa sua nova fase da carreira, o reencontro com seu jogo pós-lesão, tem sido muito interessante. Já escrevi aqui sobre o que penso a respeito disso. E continuo achando que ela voltará ao topo, assim que achar uma nova maneira de sacar e atacar dentro das limitações que seu corpo lhe impõe agora. A russa ainda erra muito, mas também força muito o jogo. Vamos ver até onde ela vai. Já é uma vencedora por ter chegado até aqui depois de tudo que passou recentemente.

No primeiro dia da terceira rodada foi isso: digno de nota é a vitória de Na Li. A chinesa vem por fora dos holofotes e vem atropelando. Olho nela.

No segundo dia, Zvonareva suou, mas venceu. Seu jogo continua o mesmo: plantada na linha de base contra atacando muito bem e errando menos do que se esperaria. Assim como Wozniacki, ela faz um bom trabalho do fundo da quadra, mas ainda não tão eficiente como a número um. A seu favor o fato de atacar bem mais e não esperar tanto o jogo acontecer. Ela busca mais o resultado do que a dinamarquesa. Vamos ver como será seu comportamento em um jogo contra alguém que jogue com bolas mais rápidas e que contra ataque bem.

Depois de Zvonareva foi a vez da belga Kim Clijsters entrar em quadra. Irreconhecível, a belga errou demais e quase complica um jogo que não oferecia qualquer risco. No final ela acabou se recuperando e vencendo bem. Acabaram as oportunidades de ter um apagão como esses. Daqui pra frente isso pode ser fatal. Uma bela atropelada nas oitavas pode trazer a boa e velha Kim de volta.

A lamentar, as eliminações de Peer, Stosur (principalmente) e Petrova.

Aguardo ansioso as oitavas. Se fosse apostar nos nomes que vão às quartas, o faria em Wozniacki, Kuznetsova, Sharapova, Na Li, Peng, Clijsters, Pennetta e Zvonareva. Vamos ver, hoje e amanhã, o rumo que as coisas vão tomar.

No masculino a emoção não foi tão grande, salvo algumas exceções. Ferrer, Soderling, Berdych, Verdasco, Almagro, Djokovic e Federer avançaram sem grandes sustos ou maiores problemas. Digno de nota nesses jogos apenas a desistência de Troicki e a surra de Soderling no algoz do brasileiro Bellucci. Roddick levou um susto no primeiro set, mas depois se recuperou e carimbou o passaporte para a próxima rodada.

As decepções da rodada foram Tsonga, que foi atropelado nos dois últimos sets, Baghdatis, que abandonou o jogo no quarto set sem maiores explicações, e Youzhny, um top dez que caiu para o número cento e cinqüenta e dois do mundo.

A batalha da rodada ficou por conta de Isner – como gosta de uma batalha! – e Cilic. Americano e croata lutaram por quase cinco horas e no fim o europeu levou a melhor. Ele agora enfrenta Nadal por uma vaga nas quartas.

E por falar no espanhol, que jogo ele nos proporcionou hoje contra o australiano Bernard Tomic. Aliás, quem nos proporcionou um grande jogo foi este último e não o miura. O jovem talento local não tomou conhecimento de quem estava do outro lado e agrediu muito, com bolas muito rápidas, sempre buscando a linha. Como se diz por aí, teve mais coragem do que juízo. O resultado disso foi que ele converteu mais winners e aces do que o espanhol, em compensação errou muito mais. A vitória de Nadal em sets diretos pode dar uma falsa impressão de que foi conquistada de forma fácil. Não foi mesmo. Foi tudo, menos fácil. Durante o jogo eu comentava que o espanhol cansou, o que ele confirmou após a partida. Fazia muito tempo que eu não via isso acontecer. Tomic deu muito trabalho, valorizou muito a vitória do número um do mundo (o australiano chegou a ter quatro a zero no segundo set). Parabéns ao australiano. Cilic e os fãs de tênis agradecem.

Assim como fiz no feminino, vou arriscar os nomes que passam para as quartas: Nadal, Ferrer, Soderling, Murray, Verdasco, Djokovic, Wawrinka e Federer.

Que venham as oitavas!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Só falo daquilo que vi... (2ª Rodada Australian Open - parte 2)

Lá veio a segunda noite da segunda rodada e com ela um longo feriadão no Rio de Janeiro. Devido a isso, perdi muito do que queria ter visto neste Australian Open – como o jogo da Clijsters, por exemplo –, mas ainda deu pra ver algumas coisas interessantes acontecendo. Vamos a elas.


A primeira coisa que vi na TV foi o treino de Rafael Nadal com um dos boleiros de Melbourne (que roupa o americano escolheu, heim?). Como de costume, o touro espanhol não entrou para brincadeiras e passeou em quadra, não dando a menor chance pro adversário – que ainda deve estar sem acreditar que conseguiu quebrar uma vez o saque do número um do mundo – e conquistando sete aces, trinta e seis winners e quase o dobro do total de pontos de Ryan Sweeting (noventa contra cinqüenta e dois). De positivo para os fãs de Nadal, a disposição, concentração e responsabilidade de sempre. De negativo, muitas duplas faltas e erros não forçados. É verdade que o miura forçou bem mais o jogo do que tradicionalmente faz, mas não o vejo em sua melhor forma ainda neste torneio. Mesmo assim, duvido muito que caia antes das semifinais.

O outro jogo que vi – e gostei – foi o de Marcos Baghdatis contra Juan Martin Del Potro. Belo jogo, mas poderia ter sido ainda melhor se o primeiro acertasse seus primeiros serviços com mais freqüência (foram pífios quarenta e sete por cento de acerto) e o segundo fosse ao menos uma sombra do vencedor do US Open de dois mil e nove. Os números não mentem, vejamos: o ciprioata venceu oitenta e oito por cento dos pontos em que disputou com o primeiro serviço; o argentino cometeu quarenta e um erros não forçados. Sem contar o fato de que aquele forehand arrasador que acabou com Federer em Nova Iorque não existe mais, muito menos a confiança para tentá-los com mais freqüência, já que a maioria deles sai no fundo da quadra. Vale destacar a garra usual dos dois tenistas que, nem que seja mais por isso do que pela exuberante técnica, proporcionaram uma agradabilíssima partida de tênis. Baghdatis avança, mas se não melhorar o aproveitamento de primeiro saque não terá como ir muito mais longe no torneio.


Infelizmente foi só isso que vi, mas vamos falar um pouco dos números, começando por Kim Clijsters. A belga humilhou mais uma vez. Sessenta e três pontos a trinta e nove; vinte e um winners a seis. Ruim mesmo foi o número de erros não forçados: vinte e quatro. Se não fosse por eles, provavelmente seria outra bicicleta da número três do mundo. E ela segue no torneio, em minha opinião, favoritíssima ao título.

Jankovic deu adeus e volta pra casa. Honestamente, não entendo muito a sérvia. Tem horas que me dá a nítida sensação de que ela só entra em quadra pra mostrar a beleza que acha que tem. Não vejo, nem nunca vi, na ex número um do mundo motivação e jogo que a fizesse estar no topo do ranking. Que fase vive a WTA... Ao contrário do que disseram, não acho surpresa sua eliminação precoce. Talvez se ela parar de se preocupar com as pernas, o cabelo e as unhas durante as partidas ela volte ao topo. Até lá, será sempre assim.

Fora a eliminação de Jankovic e o susto no primeiro set do jogo de Zvonareva – que ainda vai se ajustando –, de resto ficou tudo normal: Murray cozinhou, cozinhou e levou fácil: três a zero sem qualquer ameaça em um dos sets; e a maioria dos favoritos venceu seus jogos. A lamentar, a precoce eliminação de Llodra, a desistência de Nalbandian e a eliminação do brasileiro Thomaz Bellucci.

O pupilo de Larri ainda precisa melhorar muito seu jogo e, principalmente, sua cabeça para evoluir no tênis e, consequentemente, subir no ranking. Primeiramente, acho que parte dos problemas do brasileiro são as seguidas maratonas que enfrenta. Não me lembro de um jogo seu que tivesse acabado rápido. Ele passa muito tempo em quadra, o que exige demais de mente e corpo. Em um torneio de Grand Slam – onde a pressão é muito maior – jogado sob um sol brutal como o de Melbourne, isso faz muita diferença. É muito difícil conseguir manter dia após dia a concentração alta e o corpo sadio disputando jogos de quatro a cinco horas seguidamente. Devido a isso e a seu jogo inconstante, não vejo sua eliminação como algo precoce, infelizmente. Bellucci ainda não encontrou algo que se possa chamar de regularidade, por isso não considero surpresa que ele seja eliminado em qualquer rodada de qualquer torneio deste porte. Acho que com uma boa sequência em torneios expressivos, chegando às semifinais e até mesmo finais de ATP 1000, poderemos começar a achar prematura sua eliminação em segundas rodadas de Grand Slam. Até lá, tudo que posso achar é que Bellucci é uma promessa do nosso tênis. Uma promessa que já está passando da hora de se cumprir, mas só uma promessa, infelizmente.

Entre abandonos e eliminações, o Australian Open continua e o cerco vai começando a apertar. A semana decisiva está chegando e os verdadeiros desafios também...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Só falo daquilo que vi... (1ª Rodada Australian Open – parte 2)


E lá se foi mais uma noite de Australian Open. E mais uma vez não pude ver tudo aquilo que poderia e/ou gostaria porque preciso acordar muito cedo pra trabalhar. Sendo assim, só foi possível assistir a dois jogos: as estréias de Zvonareva e Nadal.

A russa número dois do mundo não teve qualquer dificuldade para passar pela austríaca Sybille Bammer, menos pelo seu bom jogo do que pela pífia performance da adversária. Zvonareva ficou o tempo todo no fundo da quadra se defendendo e esperando o erro que chegaria em breve. E sempre chegava. A vice líder do ranking só precisou ir levando a partida dessa forma morosa e esperar o jogo acabar para vencer com extrema facilidade. A impotência de sua adversária era tamanha que, dos trinta e dois pontos que fez ao todo no jogo, mais da metade (17) vieram de erros não forçados da russa e apenas cinco vieram de winners. Não precisa dizer mais muita coisa. Digno de nota mesmo só o fato de que Zvonareva soube conduzir o jogo dentro do que foi preciso para vencer. Vamos ver se em um embate mais equilibrado, com uma adversária de maior qualidade ela vai agredir mais ou se vai ficar só se defendendo e esperando o erro. Não creio que vá. Não foi assim que chegou à vice liderança do ranking. Outra coisa que vai precisar fazer para ter vida longa no torneio é calibrar mais a mão, pois em um jogo tão fácil como o de ontem ela não poderia ter se dado ao luxo de cometer tantos erros (além dos dezessete não forçados, foram cinco duplas faltas).


A última coisa que vi antes de dormir foi Rafael Nadal se aquecendo na quadra principal. Quando ele soube que seu adversário não iria jogar, ele dispensou seu ajudante de aquecimento e foi pra casa com mais uma vitória no currículo. Brincadeiras à parte, Daniel não entrou em quadra. E, honestamente, sem querer julgar, acusar ou condenar, fiquei com a pulga atrás da orelha com essa dor no joelho. Em momento algum desde o sorteio da chave se falou em problemas físicos do brasileiro. Após o jogo, o gaúcho disse que sentiu a lesão há dois dias durante um treinamento e por isso não conseguia se movimentar bem em quadra. Seja como for, o primeiro set foi horroroso e Daniel dava mais aro e isolava mais a bola do que eu nos meus sábados. Sua concentração parecia ter ficado no Brasil, de tão desligado que aparentava estar do jogo. Não sei mesmo o que se passou na cabeça dele, mas não parecia ser só o joelho. O problema, pelo menos no primeiro set, não pareceu ser físico, mas técnico. Mas independente de qualquer coisa, não temos o direito de duvidar da palavra de um atleta profissional e que já provou ser bastante correto. Mas que deu pra estranhar, deu...

Gostaria apenas de ressaltar o baixo rendimento de Nadal no jogo. Em uma partida tão curta e tão fácil o número um do mundo não poderia ter cometido dez erros não forçados e três duplas faltas. A não ser que já tivesse sentido que estava treinando e aproveitou para calibrar a mão, ousando e, consequentemente, errando mais. Se não foi por esse motivo, é bom o espanhol abrir o olho.


E a Kim Clijsters, heim? Mostrou para Safina o que é ser número um de verdade. E só cometeu quatro erros não forçados durante todo o jogo. Quatro. Além de nenhuma dupla falta e dezessete winners. Ao todo foram cinqüenta e um pontos contra dezesseis da russa. Essa vai demorar pra descer, vai ter que ajudar com vodka. Segura a belga!

Pra encerrar: não vi o jogo do Bellucci, mas às vezes tenho a impressão de que ele é o tenista do circuito que mais ama o que faz. Sempre que possível, estende o jogo até onde não dá mais e só então decide jogar e ganhar. Gosta muito de ficar na quadra esse rapaz...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Só falo daquilo que vi... (1ª Rodada Australian Open)

Bom, infelizmente não tenho condições de assistir a todos os jogos que gostaria. Tenho um emprego que não é esse, então só vejo o que dá. E na primeira rodada do Australian Open eu vi muito pouco, muito menos do que achei que fosse ver, mas como precisava acordar 6:30 da manhã, dormir à 1:00 já foi um certo luxo que me permiti após um fim de semana muito cansativo. Seja como for, lá vai minha opinião sobre o que deu pra ver ontem/hoje.

Sharapova foi a primeira coisa que apareceu na minha TV ontem. E ainda foi em HD, para minha sorte! Hehe. Brincadeiras à parte, gostei do que vi. A russa não fez uma partida espetacular, não mostrou um tênis de assombrar as adversárias – até porque ela não tem um tênis assim, digamos, sensacional –, mas fez o que sabe bem: soltou o braço lá do fundo da quadra, gritou muito, encurralou a adversária, angulou muito bem os golpes e subiu de maneira eficiente à rede sempre que precisou (ganhou todos os pontos que disputou ali), o que lhe fez vencer com muita facilidade. Os sustos das quebras não foram suficientes pra dizer que o jogo foi duro ou que Sharapova se complicou. Foi uma boa estreia. Os primeiros serviços, quando entravam, complicavam bastante a vida de Tanasugarn, mas o alto número de duplas faltas preocupa para um jogo mais equilibrado. A russa precisa melhorar, o que acho que acontecerá com o natural aumento da confiança. Vamos ver. Acho que se tiver mais equilíbrio no saque, ela pode ir longe, pois mostrou ontem um bom jogo de fundo de quadra, com bolas muito rápidas e bem anguladas. Se calibrar um pouquinho mais a mão – foram 22 erros não forçados e 10 duplas faltas – vai bem longe.

O segundo jogo que vi foi o de Wozniacki. A dinamarquesa melhorou muito seu jogo, mostrando mais consistência, mas ainda acho que ela não tem bola pra se manter no topo por muito tempo. Seu jogo mais defensivo e nada agressivo pode atrapalhá-la em um torneio como esse, com quadra muito rápida e muito calor. A seu favor o fato de ter vencido uma adversária muito mais forte e agressiva do que a de Sharapova. Dulko jogou bem, mas acho que sua própria cabeça foi uma adversária mais dura do que a número um do mundo que estava do outro lado da quadra. A argentina parecia nervosa e ansiosa nos pontos mais importantes, errando muito quando não podia nem precisava. Seja como for, Wozniacki avança e avança bem, pois deve aumentar a confiança com a boa vitória depois de dois fracassos vergonhosos no início do ano. Fico imaginando como estava a cabeça da menina para essa estréia. Isso já vai diminuir muito daqui para frente.

A última coisa que vi foi Monfils iniciar a virada de sua grande vitória. Quando vi o holandês De Bakker no terceiro set antes do saque no nono game falei: “vai perder o game e, dependendo de como perder, o jogo vai embora também”. Não deu outra. O cara estava pilhado demais. Agitava as pernas, olhava de um lado para o outro, ansioso, louco para levantar e decidir o jogo. Olha, sou capaz de apostar que ele pensava “vamos acabar logo com isso antes que Monfils se lembre que joga um belo tênis e vire o jogo“. Quando o game começou, o francês só precisou devolver os saques, o resto o adversário fez sozinho. Em um game extremamente mal jogado, cheio de erros bizonhos, o holandês dava adeus ao jogo e a vitória mudava de lado já ali. Ali, ainda com dois sets por jogar? Sim, ali. Quem joga tênis sabe: cabeça é 80% do jogo e a do holandês foi embora pra casa naquele voleio extremamente fácil que ele jogou pra fora. Só precisei esperar Monfils confirmar o set para ir dormir, mas não sem antes falar: “esse maluco vai tomar uma bicicleta nos próximos sets”. Errei por pouco. Para o francês fica a lição de não desligar do jogo nunca, por mais fácil que seja. Para o holandês fica a de que o jogo só acaba quando termina.

Como meu chefe não entenderia minha admiração por Roger Federer, tive que ir dormir. Mas gostaria de tê-lo visto jogar uma exibição antes de estrear, de fato, na próxima rodada do torneio.

Hoje de manhã ainda pude ver um pouco do jogo da Henin. Depois que ela se lembrou do que é capaz, ficou fácil passar pela indiana. Torço muito pra que a belga volte a apresentar o tênis que a colocou milhares de pontos a frente da segunda colocada no ranking da WTA. Seria ótimo vê-la jogar assim contra Clijsters e as irmãs Williams. Vamos ver. Minha favorita ainda é a Aussie Kim, mas vamos ver...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O que será, o que será?


Nos últimos meses tenho visto coisas estranhas no mundo da WTA: Safina perdendo um jogo sem confirmar o saque uma única vez, Sharapova sendo eliminada de maneira precoce e melancólica, Wozniacki tomando uma surra inesquecível de Zvonareva, e por aí vai. Pergunto, então: o que será da WTA neste ano?

O tênis feminino passa por uma fase, ao meu ver, fraca, sem o brilho de outros tempos. Sinto falta de Henin em ótima forma no circuito, sem falar nas irmãs Williams que, infelizmente, não são mais as mesmas. Quando penso no que pode acontecer este ano no que diz respeito às meninas fico meio perdido, sem saber muito bem em quem apostar. Minha preferida das que estão aí é, disparado, Kim Clijsters. É na belga que aposto nesta temporada. Fiz isso no ano passado e acabei perdendo, ela não terminou como número um do mundo. Mas neste ano aposto nela novamente. Ela é sólida e mais estável ao longo do ano do que todas as outras. Vênus seria outra aposta se estivesse em outro momento, assim como Serena, se esta conseguisse me convencer de que ainda leva a carreira a sério. Não levo fé em Wozniacki. Não acho que tenha condições de terminar o ano no topo. Não vejo esse tênis nela.

Agora, com Sharapova em um momento de irregularidade (desde que voltou da cirurgia no ombro que não conseguiu uma boa sequência), Ivanovic – que não joga bem há algum tempo – lesionada e Jankovic oscilando horrores, não sobra muita opção para apostar. Stosur corre por fora, é uma boa tenista, mas fico com Kim Clijsters. Acho que talento e experiência se misturam em boa dose nela.

E aí, o que será da WTA em 2011?